Preços do petróleo superam US$119/barril, maior valor desde 2022, devido à guerra com Irã

Em uma ‌sessão turbulenta, o Brent chegou a atingir mais cedo US$119,50 por barril, no maior salto de preço absoluto em um único dia

9 mar 2026 - 09h31
(atualizado às 09h58)
Os preços globais do petróleo subiram para os níveis mais altos desde 2022, após a escalada da guerra entre os EUA e Israel contra o Irã. O petróleo Brent, referência internacional, ultrapassou a marca de US$ 100 durante a noite.
Os preços globais do petróleo subiram para os níveis mais altos desde 2022, após a escalada da guerra entre os EUA e Israel contra o Irã. O petróleo Brent, referência internacional, ultrapassou a marca de US$ 100 durante a noite.
Foto: Dan Kitwood/Getty Images

Os preços do petróleo subiram para mais de US$119 ‌por barril nesta segunda-feira, atingindo níveis não vistos desde meados de 2022, à medida que alguns dos principais produtores mundiais cortaram o fornecimento e temores de interrupções prolongadas no transporte marítimo dominaram o mercado devido à guerra crescente entre os EUA e Israel com o Irã.

Os contratos futuros do petróleo Brent subiam US$10,26, ou 11,1%, a US$102,95 por barril, às 09h15, enquanto os ⁠contratos futuros do petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA subiam US$10,14, ou 11,2%, a US$101,04.

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Em uma ‌sessão turbulenta, o Brent chegou a atingir mais cedo US$119,50 por barril, no maior salto de preço absoluto em um único dia, enquanto o WTI alcançou US$119,48 por barril.

O Brent subiu ‌66% e o WTI 77% em relação aos valores do ‌último fechamento antes de os EUA e Israel iniciarem os ataques em 28 de ⁠fevereiro.

Os preços deste segunda-feira se comparam às máximas históricas de cerca de US$147 por barril para os contratos alcançadas 2008, de acordo com dados da LSEG que remontam à década de 1980.

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MERCADO INDICA INTENSA ESCASSEZ DE OFERTA

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O prêmio dos contratos de carregamento do Brent no primeiro mês em relação aos contratos para entrega daqui a seis meses subiu para um recorde histórico nesta segunda-feira ‌de quase US$36, de acordo com dados da LSEG desde 2004.

Esse valor ficou bem acima do pico ‌anterior de cerca de US$23 ⁠em março de 2022, ⁠nas primeiras semanas da guerra entre a Rússia e a Ucrânia.

Esse prêmio indica uma estrutura de mercado conhecida como ⁠backwardation, mostrando que os operadores veem uma intensa ‌escassez de oferta atual.

O Estreito de ‌Ormuz, por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, está praticamente fechado.

A nomeação de Mojtaba Khamenei como sucessor de seu pai, Ali Khamenei, como líder supremo do Irã, também impulsionou os preços, sinalizando que a ⁠linha dura continua firmemente no comando em Teerã, uma semana após o início do conflito com os EUA e Israel.

A guerra pode fazer com que os consumidores e as empresas de todo o mundo enfrentem semanas ou meses de preços mais altos de combustível, mesmo que o conflito termine rapidamente, já que os fornecedores enfrentam instalações ‌danificadas, logística interrompida e riscos elevados de transporte.

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Os contratos de gasolina dos EUA atingiram o valor mais alto desde 2022, cerca de US$3,22 o galão, em um momento em que o ⁠presidente dos EUA, Donald Trump, disse aos consumidores norte-americanos que o impacto sobre o custo de vida seria limitado antes das eleições de meio de mandato em novembro.

SAUDI ARAMCO COMEÇA A CORTAR A PRODUÇÃO, DIZEM FONTES

A Saudi Aramco começou a cortar a produção em dois de seus campos de petróleo, disseram fontes. Na semana passada, analistas disseram que esperavam que os pesos pesados da Opep, incluindo os Emirados Árabes Unidos, tivessem que cortar a produção em breve, já que estão ficando sem capacidade de armazenamento de petróleo.

A produção de petróleo iraquiana em seus principais campos petrolíferos do sul caiu 70%, segundo fontes, e o armazenamento de petróleo bruto atingiu a capacidade máxima.

A Kuweit Petroleum Corporation também começou a cortar a produção de petróleo no sábado e declarou força maior nos embarques, embora não tenha informado o volume de produção que seria fechado.

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