UBS BB corta recomendação de Braskem para venda sem enxergar "saída fácil"; ação desaba 13%

16 set 2026 - 11h55
Resumo
As ações da Braskem desabaram mais de 13% após o UBS BB rebaixar a recomendação dos papéis para venda e cortar o preço-alvo de R$ 10,50 para R$ 3,75. O banco justificou a decisão pela ausência de saídas fáceis para a petroquímica, apontando spreads deprimidos pelo excesso de capacidade na China até o fim da década e alto endividamento. O cenário prevê Ebitda pressionado, queima de caixa e risco de diluição aos acionistas em meio ao processo de recuperação extrajudicial de dívidas de US$ 10,9 bilhões.

Analistas do UBS BB ‌cortaram a recomendação das ações da Braskem para venda ante neutra, bem como reduziram o preço-alvo dos papéis para R$3,75, de R$10,50, afirmando que não há uma "saída fácil".

"Nós reconhecemos que estamos um tanto atrasados nesse rebaixamento, após a forte ⁠queda das ações nos últimos três meses e os persistentes ‌ventos contrários relacionados aos spreads e ao processo de reestruturação", afirmaram em relatório a clientes com data de ‌terça-feira.

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"No entanto, seguimos sem enxergar uma saída ‌fácil para a companhia, já que os spreads ⁠retornaram, em grande medida, às perspectivas observadas antes do conflito (no Oriente Médio)", pontuaram Tasso Vasconcellos e João Barichello, que assinam o documento.

Além disso, eles destacaram que os significativos aumentos de capacidade na China estão superando o crescimento da demanda ‌projetado para 2027 e 2028, "o que provavelmente manterá os spreads em ‌níveis típicos de ⁠fundo de ⁠ciclo até uma fase mais avançada da década, com risco limitado de ⁠surpresas positivas".

Os analistas ainda ‌chamaram a atenção para ‌o elevado endividamento da Braskem e suas necessidades de reestruturação, citando que eventuais soluções podem implicar risco relevante de diluição para os acionistas, além de elevada volatilidade durante ⁠esse processo.

"Diante disso, esperamos um Ebitda pressionado e um maior consumo de fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE) nos próximos anos, o que poderá exigir uma solução mais abrangente para a estrutura ‌de capital da empresa." 

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"Como avaliamos que os riscos permanecem mais inclinados para o lado negativo, temos uma recomendação de ⁠venda."

Por volta de 11h40, as ações da Braskem desabavam 13,86% na bolsa paulista, cotadas a R$4,60. No ano, os papéis acumulam um tombo de 41,7%. 

A Justiça aprovou no mês passado o processamento da recuperação extrajudicial da companhia e certas controladas para reestruturar dívidas de US$10,9 bilhões. A decisão ratificou a suspensão pelo prazo de 120 dias de todas as execuções em curso contra as requerentes por credores sujeitos à recuperação extrajudicial. O prazo já considera o desconto dos 60 dias conferidos pela decisão que deferiu a tutela cautelar.

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