Trabalho dos sonhos? Ela era paga em dólar para viajar pelo mundo, mas decidiu largar o emprego

A publicitária Sophia Costa compartilha o que a fez largar o 'emprego dos sonhos' após quase dois anos viajando pelo mundo com tudo pago

3 abr 2026 - 12h11

Por quase dois anos, a publicitária Sophia Costa, de 31 anos, viveu uma experiência que muitos jovens profissionais dariam tudo para vivenciar. Ela foi contratada por uma empresa de turismo com remuneração em dólar e tinha como principal função conhecer destinos no Brasil e no exterior com tudo pago. As regalias envolviam hotéis all inclusive, traslado com motorista particular e uma agenda aérea lotada.

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Em apenas um ano, foram 85 voos. "Nem todos de classe executiva", diz. Ela aceitou a proposta de emprego, que exigia endereço fixo em São Paulo, em 2024. Na época, morava na África do Sul e decidiu retornar ao Brasil após oito anos como nômade digital.

"Estava querendo ficar mais tempo no Brasil mais perto da minha família. Foi a primeira vez em oito anos que aluguei um apartamento para mim", relembra. Em paralelo, a publicitária também queria experimentar um novo estilo de vida.

Se como nômade não tinha um roteiro com as viagens fixas dos meses seguintes e ainda precisava organizar todos os detalhes, desde hospedagem a passagens, com o novo emprego não ia se preocupar com a parte burocrática das viagens.

No entanto, por trás desse suposto glamour, a rotina também era puxada. Geralmente passava 20 dias por mês viajando e tinha apenas 10 dias de descanso. Enquanto viajava para destinos como Paris e Madrid, o trabalho era full time. Não tinha um dia livre para questões pessoais nos destinos. "Era trabalho de segunda a segunda", diz.

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Ela era responsável por gravar, editar e publicar conteúdos dos destinos visitados nas redes sociais da empresa. Durante as viagens costumava dormir em média 5 horas por dia, durante 10 dias seguidos.

Falta de flexibilidade

Após um ano nesse ritmo, Sophia começou a repensar a carreira no longo prazo. "Não é fácil e glamouroso como pensam", afirma. Mesmo com uma boa remuneração e outros atrativos do modelo de trabalho, como conhecer novos lugares, o que a fazia permanecer era a experiência. "Não fui deslumbrada, queria aprender", diz.

Com o tempo, a falta de flexibilidade e a vontade de passar mais em tempo em casa a fez desistir do trabalho que os próprios amigos consideravam ser o "trabalho dos sonhos". Assim como a profissional, o fator flexibilidade vale mais do que salário para 9 em cada 10 jovens brasileiros, de acordo com estudo global da HP com 18 mil profissionais.

"Queria fazer coisas no bairro em que morava também, mas não tinha tempo, ficava cansada nos dias de folga", conta.

Recentemente, a publicitária compartilhou a decisão de ter abandonado o emprego em suas redes sociais. O vídeo rapidamente viralizou, com mais de 170 mil curtidas e 400 comentários. No post, as pessoas questionavam como ela foi capaz de largar o "trabalho dos sonhos de qualquer jovem profissional". Outros argumentavam que, de fato, o trabalho parecia ser cansativo.

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"Eu sonhava em ter um trabalho que eu pudesse viajar a trabalho. Spoiler: odiei. Você não tem horário, vive em aeroporto, chega domingo vc tem que estar no aeroporto pq segunda tem demanda lá, você fica exausta (sic)", comentou uma internauta.

A nova forma de trabalho

Desde que pediu demissão há alguns meses, a publicitária optou por se dedicar à produção de conteúdo nas redes sociais, que é de onde vem sua renda principal. Hoje, diz não se arrepender da experiência nem descarta um dia aceitar um trabalho semelhante ao da companhia de turismo.

Porém, pelo menos por enquanto, prefere se manter em um endereço fixo com ofertas de trabalho que não exigem viagens todo mês. "Viajar está no meu DNA, mas meu modelo de viajar mudou", diz.

Para quem cogita adotar um estilo de vida parecido com o da publicitária, especialistas ouvidos pelo Estadão recomendam algumas dicas:

  1. Entenda a rotina real: pergunte sobre carga horária, dias de descanso e expectativas de entrega, principalmente em cargos que será necessário executar várias funções ao mesmo tempo.
  2. Avalie seu estado físico e mental: viagens frequentes podem envolver mudanças de fuso. É precisa estar preparado(a).
  3. Considere o longo prazo: a experiência pode ser rica em termos de aprendizado, mas vale refletir por quanto tempo o ritmo é sustentável.
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