Grupo Arauco investe R$ 2 bi em terminal portuário em Santos para exportação de celulose

Investimento total em infraestrutura logística será de R$ 4,4 bilhões para viabilizar escoamento de 3,5 milhões de toneladas por ano, de Inocência (MS) até o Porto de Santos

31 mar 2026 - 17h31
(atualizado às 18h11)

Para completar um ciclo logístico de 1.050 km entre Mato Grosso do Sul e o Porto de Santos, a companhia chilena Arauco vai investir R$ 2 bilhões na construção de um terminal portuário na margem direita do porto santista, no bairro da Alemoa. O empreendimento receberá a celulose que sairá da fábrica de empresa em Inocência (MS) e fará o embarque da commodity em navios rumo a mercados externos, principalmente da Ásia.

Toda a operação logística para atender a maior fábrica de celulose do mundo, que ficará pronta no quarto trimestre de 2027, custará em torno de R$ 4,4 bilhões (US$ 840 milhões pelo câmbio atual). Inclui um ramal ferroviário de 50 km, locomotivas, vagões e o terminal em Santos.

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No município de Inocência, que tem 8,8 mil habitantes, o grupo chileno do ramo florestal e madeira está erguendo uma fábrica com capacidade de produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose de fibra de eucalipto por ano. Denominado Projeto Sucuriú, é a maior planta industrial da commodity no mundo, com 98% da produção para exportação. Nessa instalação e no plantio de florestas de eucalipto no Estado, a Arauco está investindo US$ 4,6 bilhões, valor equivalente a R$ 24,15 bilhões.

A fábrica, que neste momento emprega um contingente de 11 mil trabalhadores — devendo chegar a 14 mil no pico da obra por volta de julho a agosto — tem previsão de iniciar produção dentro de 20 meses. Por isso, toda a infraestrutura logística terá de estar pronta ao mesmo tempo.

Vista aérea do Porto de Santos, maior do País em movimentação de cargas: Arauco montará terminal para embarque de celulose
Vista aérea do Porto de Santos, maior do País em movimentação de cargas: Arauco montará terminal para embarque de celulose
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

O terminal em Santos é o último pilar desse tripé. É fruto da aquisição da concessão do TUP Alemoa S/A, que pertencia à empresa Terminal Marítimo Alemoa S.A. (Alempor), e que já dispõe de licenças para a construção do empreendimento. Na última quinta-feira, 26, a transação e o projeto de investimento receberam a autorização técnica da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Em até 90 dias, está previsto o aval final do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), após a aquisição da Alempor, ainda dependente de outras condições comerciais e jurídicas, e formalidades societárias e regulatórias requeridas.

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"Como Santos tem atualmente limitações de infraestrutura, avaliamos alternativas brownfield (expansão de estruturas já existentes) e greenfield (construção do zero). A opção da empresa foi por um TUP (Terminal de Uso Privativo)", disse ao Estadão Alberto Pagano, diretor de Logística da divisão de celulose da Arauco no Brasil.

Com o aval da Antaq, a empresa já pode adiantar algumas ações, como licenciamento ambiental, informa o executivo. A construção do terminal, numa área de 200 mil metros quadrados, envolve dragagem, berços de atracação de navios, piers, defensas, obras marítimas e onshore (armazenagem da celulose) e vias de acesso rodoviário e ferroviário. Dos três berços, dois serão construídos agora e um no futuro.

A definição do terminal "representa um avanço muito importante para consolidar o plano logístico estruturado para dar suporte às futuras operações industriais da empresa em Inocência", disse, em nota, Carlos Altimiras, presidente da Arauco Brasil.

Navios encomendados na China

O calado do terminal para atracação dos navios será de 14,5 metros. A empresa vai despachar a celulose em embarcações com capacidade de transportar 50 mil a 80 mil toneladas. Pagano informa que foram feitos contratos com armadores internacionais, que já encomendaram navios em estaleiros da China, país de destino da maior parte da celulose.

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A empresa prevê 18 meses de obras para o terminal — conclusão em torno de setembro de 2027. Ao mesmo tempo em que as obras da unidade industrial e do ramal ferroviário entre Inocência e a fábrica, de 50 km, também sejam concluídas. "Tudo planejado para acontecer simultaneamente. Não pode ocorrer nada que atrase os embarques de celulose", comenta Pagano.

Alberto Pagano, diretor de logística da divisão de celulose do grupo chileno Arauco, no Brasil
Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

Para o pacote de investimento em logística e infraestrutura, de R$ 4,4 bilhões, o diretor de logística informa que a Arauco está avaliando todas as opções de financiamento disponíveis. Por exemplo, linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Fundo da Marinha Mercante (FMM).

Pagano destaca que a operação por via ferroviária vai tirar das estradas até 200 caminhões por dia. Além de segurança, um benefício apontado é a redução de emissões de dióxido de carbono (CO2) a partir do consumo de combustíveis fósseis.

Do Centro-Oeste ao litoral santista

A viagem da celulose até o terminal em Santos será feita em trens de 100 vagões, cada um com 96 toneladas, sob operação da Rumo Logística, empresa ferroviária do grupo Cosan. O contrato da Arauco com a Rumo é de 10 anos, dividido em dois acordos: um de transporte na própria ferrovia, que passa ao lado de Inocência; e outro, de operação específica (COE), no ramal da Arauco.

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A companhia chilena adquiriu para a operação logística 26 locomotivas, fabricadas em Contagem (MG) pela Wabtech, e 721 vagões do grupo gaúcho Randon, montados em Araraquara (SP). Incluindo a construção do ramal ferroviário, o desembolso da empresa nesse pacote é de R$ 2,4 bilhões.

Na construção do terminal portuário em Santos, estão previstos 1.850 funcionários. Para a operação, entre 350 e 400 pessoas. Para o ramal ferroviário, em Inocência, cujas obras foram iniciadas em fevereiro, a contratação é de 1 mil pessoas.

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