BRASÍLIA — O Banco de Brasília (BRB) adiou a divulgação do balanço de 2025 e convocou uma nova assembleia de acionistas para o dia 22 de abril na tentativa de aprovar um aporte de capital e cobrir o rombo deixado pelo Banco Master.
Em comunicado ao mercado, o banco estatal reafirmou "seu compromisso com a transparência, a governança corporativa e a adequada prestação de informações ao mercado."
O banco tinha até esta terça-feira, 31, para divulgar os resultados financeiros de 2025, mas não entregou o balanço pelo segundo trimestre consecutivo.
Como o Estadão mostrou, o Banco Central não pretende tomar decisões extremas antes de esgotar todas as alternativas, porém, não descarta o mesmo destino do Master, que foi liquidado no ano passado.
O BRB enfrenta um problema de patrimônio após comprar carteiras podres do Master e tentar, sem sucesso, comprar o banco de Daniel Vorcaro no ano passado. O banco estatal é investigado por crimes no sistema financeiro e ainda não apresentou qual o tamanho do buraco deixado pelo Master na instituição — atualmente, o rombo é calculado em aproximadamente R$ 8 bilhões.
Em um segundo comunicado, o Banco de Brasília afirmou que o balanço foi adiado em razão da necessidade de conclusão dos trabalhos da auditoria contratada para apuração do rombo e da avaliação dos impactos pela administração do banco e pelo auditor independente.
"A medida visa assegurar a fidedignidade, transparência e integridade das demonstrações financeiras, em observância aos deveres legais e fiduciários da Administração e à proteção dos interesses da Companhia e de seus acionistas", afirmou a instituição. O BRB não deu uma data para a publicação dos resultados
O ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB), que renunciou ao cargo para concorrer ao Senado, pediu um empréstimo de R$ 4 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para fazer um aporte no BRB antes de deixar o poder. Segundo pessoas que acompanham as operações do FGC, o fundo sozinho não aprovará o empréstimo e determinou a adesão de outros bancos, sejam eles públicos ou privados, para dar suporte à operação.
O BRB também planeja usar um fundo imobiliário para levantar dinheiro, mas enfrenta entraves jurídicos e o empréstimo se tornou o "plano A". O governo aprovou uma lei e ofereceu nove imóveis para serem vendidos, transferidos ao banco, usados como garantia no empréstimo e ainda estruturados em fundo imobiliário. A lei foi parar na Justiça.
A governadora Celina Leão (PP), até então vice de Ibaneis, assumiu o governo na segunda-feira, 30, e pretende insistir no plano de salvamento do banco. Ela já declarou, inclusive, que não descarta recorrer ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em busca de uma ajuda.
Em meio ao impasse, Celina avalia substituir o secretário de Economia do DF, Daniel Izaias de Carvalho, que estava articulando o aporte no BRB, pelo economista Valdivino José de Oliveira, que foi secretário nos governos Joaquim Roriz e José Roberto Arruda e hoje atua na Secretaria de Fazenda de Goiânia.