Tecnologia inédita para suportar novos data centers será inaugurada em São Paulo

Presidente da EPE destacou empreendimento com sensores digitais e dados climáticos em tempo real para monitorar e aumentar a capacidade das linhas de transmissão

24 jun 2026 - 19h41

RIO - O Estado de São Paulo contará em breve com uma tecnologia inédita aplicada para controle em tempo real do sistema de transmissão. Segundo o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Thiago Prado, a obra prestes a ser inaugurada visa, entre outros pontos, suportar o crescimento futuro de data centers, que demandam uma quantidade massiva e estável de energia.

"A transmissão passará a ser variável para o operador, formando mais um elemento de flexibilidade e postergação de novos investimentos na rede elétrica", disse o executivo durante painel do Energy Summit nesta quarta-feira, 24, no Rio de Janeiro.

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Thiago Prado participa de debate sobre 'O Futuro da Regulação Energética no Brasil: Desafios, Convergências e Novas Fronteiras'
Thiago Prado participa de debate sobre 'O Futuro da Regulação Energética no Brasil: Desafios, Convergências e Novas Fronteiras'
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

Em sua apresentação, Prado explicou que o empreendimento contará com a tecnologia de Dynamic Line Rating (DLR). Trata-se de um recurso inovador, que utiliza sensores digitais e dados climáticos em tempo real para monitorar e aumentar a capacidade de transporte das linhas de transmissão, sem a necessidade de construir novas torres ou cabos.

Dezenas de projetos envolvendo data centers foram mapeados pela EPE e o Operador Nacional do Sistema (ONS). A ideia é liberar o escoamento da rede de forma rápida e eficiente, somando-se a outras soluções como armazenamento de baterias e sistemas de Flexible AC Transmission Systems (FACTS). Esse último é concebido a partir de equipamentos baseados em eletrônica de potência, para controlar o fluxo de energia, estabilizar a tensão e aumentar a capacidade de transferência das linhas já existentes.

Desafios de um futuro descentralizado

Questionado sobre como o planejamento se prepara para as novas tecnologias de um futuro descentralizado, o executivo sinalizou que a EPE trabalha em cenários e futuros possíveis, olhando o longo prazo entre os recursos mais próximos, em desenvolvimento e aqueles que ainda não foram identificados.

"O grande desafio atual é o avanço dos REDs (Recursos Energéticos Distribuídos) sem os devidos sinais econômicos, o que gera um grande problema no planejamento central, na governabilidade do sistema", afirmou.

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Para ele, tecnologias como medição inteligente, maior e melhor qualidade de dados na curva de carga e consumo do sistema, além do avanço nas discussões de Distribution System Operator (DSO), são elementos fundamentais para maior controlabilidade do ONS — o que exigirá também evoluções nos índices de digitalização dos processos e na eletrificação via grandes cargas, mobilidade elétrica e a indústria.

"A mobilidade pode fazer sua parte a partir de carregadores inteligentes, que em conjunto com os medidores podem compor uma maior flexibilidade e consumo participativo, com riqueza de informação", sinalizou Thiago Prado.

Ademais, o executivo salientou que a EPE tem trabalhado em metodologias de carga líquida, tentando abater esses recursos distribuídos. Já o que sobra dessa equação é o curtailment (corte exigido por excesso de oferta de energia), problema que vem atormentando a geração centralizada.

"O maior desafio será estabelecer mecanismos regulatórios com sinais adequados, equilibrar com baterias, mobilidade e um cenário de trabalho mais próximo das distribuidoras", afirmou.

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