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Taxas dos DIs voltam a subir ainda sob o impacto da reeleição de Lula

30 out 2026 - 11h01
Resumo
As taxas dos DIs subiram nesta sexta-feira, impulsionadas pela reeleição de Lula e pela queda do desemprego para 5,2%. O mercado repercute a alta do déficit nominal, que atingiu 9,51% do PIB em 12 meses, exigindo maior rigor nas contas públicas. A incerteza sobre a futura política fiscal elevou a percepção de risco e alterou as projeções para a Selic, com investidores passando a apostar majoritariamente na manutenção da taxa básica em 13,75% ao ano na próxima reunião do Copom.

As taxas dos DIs voltaram a ‌subir nesta manhã de sexta-feira, ainda na esteira da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e após dados mostrarem que o desemprego no Brasil recuou no terceiro trimestre deste ano, enquanto no exterior os rendimentos dos Treasuries cediam.

Às 10h45, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,435%, em alta de 7 pontos-base ante o ajuste de 14,366% da sessão anterior. ⁠Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em ‌15,3%, com avanço de 7 pontos-base ante 15,234%.

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A vitória de Lula no último domingo, que surpreendeu o mercado, seguia influenciando os negócios. Ao mesmo tempo em que aguardam indicações sobre quem ocupará em ‌2027 as principais pastas, como o Ministério da Fazenda, os ‌investidores esperam por detalhes sobre como será a política fiscal no novo governo.

A necessidade de ⁠ajuste nas contas públicas é um tema recorrente no mercado, que vê a questão como fundamental para o controle da inflação e, consequentemente, para a redução sustentável dos juros.

Dados do Banco Central mostraram na quinta-feira que o setor público consolidado registrou em setembro déficit nominal -- que já inclui o pagamento dos juros da dívida pública -- de R$113,0 bilhões. Em 12 meses até setembro, o déficit nominal está ‌em R$1,275 trilhão, ou 9,51% do Produto Interno Bruto (PIB).

"O problema fiscal é muito grave e precisa ser ‌enfrentado pelo governo sob pena de ⁠um grande desarranjo macroeconômico, ⁠nosso maior temor", pontuou o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, em relatório. "Além da dívida do governo, ⁠as famílias e as empresas estão muito endividadas", alertou.

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Nesta ‌manhã de sexta-feira, o Instituto Brasileiro ‌de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a taxa de desemprego no país recuou para 5,2% no terceiro trimestre do ano, a mais baixa para o período desde o início da série histórica, em 2012. O dado veio em linha com as expectativas dos economistas.

Já o rendimento ⁠real habitual do trabalhador ficou estável na comparação com o trimestre imediatamente anterior, em R$3.790, com alta de 3,6% na comparação anual.

Na próxima quarta-feira, o Banco Central anunciará sua primeira decisão sobre juros após o segundo turno da eleição presidencial. As preocupações sobre o equilíbrio fiscal no governo Lula conduziram nesta semana boa parte das apostas do mercado ‌para a manutenção da taxa básica Selic em 13,75% ao ano.

"Antes das eleições, existia uma probabilidade maior implícita nos preços de uma continuidade no ciclo de corte de juros. E o que ⁠passamos a ver pós-segundo turno, pós-reeleição do presidente Lula, foi uma probabilidade maior de uma manutenção na próxima reunião", pontuou Rafael Sueishi, head de renda fixa da Manchester Investimentos.

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"Não foi a eleição que mudou os fundamentos de inflação ou a atividade de um dia para o outro, o que mudou foi essa percepção de risco sobre a trajetória futura das contas públicas, continuidade da condução da política fiscal, e como isso pode impactar câmbio, curva de juros e expectativas de inflação", acrescentou.

Na última quarta-feira -- atualização mais recente -- a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 66,5% de chance de manutenção da Selic na próxima semana, contra 32% de probabilidade de corte de 25 pontos-base. No dia 23 de outubro, antes do segundo turno, a precificação era de 17,5% para manutenção e 76% para corte de 25 pontos-base.

No exterior, às 10h45 o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 6 pontos-base, a 4,931%.

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