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Taxas dos DIs caem mais de 20 pontos-base em dia de queda do petróleo

24 jul 2026 - 17h15

Após o avanço da véspera, as taxas dos DIs fecharam ‌a sexta-feira com perdas acima dos 20 pontos-base em vários vencimentos, acompanhando o recuo dos rendimentos dos Treasuries no exterior, em uma sessão de ajuste negativo também do petróleo.

Durante evento em São Paulo no fim da manhã, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, evitou se aprofundar sobre os efeitos da reaceleração recente do petróleo na inflação brasileira, limitando-se a afirmar que a autarquia acompanha os desdobramentos das variações desses preços e reiterando que o Brasil está melhor posicionado do que muitos países por ser exportador líquido da commodity.

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No ⁠fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,145%, com recuo de 24 pontos-base ante o ajuste ‌de 14,383% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 marcava 14,67%, com baixa de 17 pontos-base ante 14,841%.

Na semana, o DI para janeiro de 2028 acumulou alta de 4 pontos-base, enquanto o DI para janeiro de 2035 ‌subiu 8 pontos-base.

Nesta sexta-feira, tanto os rendimentos dos Treasuries quanto o petróleo exibiram baixas ‌após os avanços firmes da véspera, com investidores atentos ao noticiário sobre o conflito no Oriente Médio e as novas ⁠tarifas dos EUA.

Além de fechar o Estreito de Ormuz, o Irã transportou comandantes da Guarda Revolucionária Islâmica, conselheiros militares e equipamentos para o Iêmen neste mês, informou a Reuters, buscando fortalecer a capacidade de seus aliados houthis de ameaçar a navegação no Mar Vermelho.

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Já os EUA atacaram com mísseis o Irã de norte a sul, depois que o presidente Donald Trump prometeu uma "punição militar severa" a Teerã e aos houthis.

Na área diplomática, a Reuters informou que o Paquistão está explorando um caminho para a retomada das negociações paralisadas entre ‌EUA e Irã sobre o fim da guerra, na sequência de uma iniciativa lançada pela China. A notícia favoreceu a queda do petróleo, com ‌investidores realizando os lucros recentes.

No campo comercial, ⁠o governo norte-americano decidiu impor a ⁠partir desta sexta-feira tarifas de 10% a 12,5% sobre produtos de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil, por alegações de fiscalização frouxa das proibições do ⁠trabalho forçado.

No caso do Brasil, o percentual será de 12,5%, juntando-se a outra ‌tarifa aplicada pelos EUA, de 25%, que ‌passou a incidir sobre um conjunto de produtos brasileiros em 22 de julho em função de práticas comerciais supostamente desleais do país.

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Apesar das preocupações com a guerra no Oriente Médio e a tarifação norte-americana, a sessão foi de redução de preços do petróleo e de queda dos rendimentos dos Treasuries, com reflexos diretos no Brasil.

A taxa do DI para janeiro de 2028 ⁠marcou a mínima de 14,120% (-26 pontos-base) às 15h07.

Mesmo com o movimento do dia, a escalada recente dos preços do petróleo e seus efeitos sobre a inflação seguem como uma das principais preocupações para os bancos centrais ao redor do mundo.

Na próxima semana o Federal Reserve decidirá sobre sua taxa de juros, hoje na faixa de 3,50% a 3,75%, e na semana seguinte será a vez do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciar a nova Selic, atualmente em ‌14,25%.

Na última quarta-feira -- atualização mais recente -- a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 77,5% de chance de corte de 25 pontos-base da Selic em agosto, contra 23,5% de probabilidade de manutenção.

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Durante o evento Expert XP 2026, no fim da manhã ⁠desta sexta-feira, Galípolo avaliou que a economia e o mercado de trabalho no Brasil estão resilientes, reforçando que o cenário atual, que inclui expectativas de inflação desancoradas, demanda juros em patamar restritivo por mais tempo.

Ao mesmo tempo, disse que é "bastante complexo" separar atualmente o que são efeitos do choque de oferta sobre a inflação e o que é fruto de uma resiliência maior da atividade econômica brasileira.

"Do ponto de vista do choque de petróleo e com um conflito (no Oriente Médio), a gente vai acompanhando o dia a dia, como é que está sendo o desdobramento", limitou-se a dizer ao ser questionado sobre a alta da commodity.

Durante a tarde, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, disse que as subvenções implementadas pelo governo para suavizar preços de combustíveis terão custo de aproximadamente R$1,3 bilhão por mês no caso da gasolina e de cerca de R$5,5 bilhões ao mês para o diesel.

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Em entrevista coletiva ao lado de Moretti, a secretária de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Débora Freire, disse que a alta recente do petróleo deve, por outro lado, aumentar as receitas do governo. Ela acrescentou que o cenário ainda é incerto e volátil.

No exterior, às 16h38 o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 3 pontos-base, a 4,677%.

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