As taxas dos DIs fecharam a quinta-feira com leves baixas no Brasil, em meio a uma queda inesperada do setor de serviços no país em dezembro e ao recuo firme dos rendimentos dos Treasuries no exterior.
No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 12,635%, em baixa de 1 ponto-base ante o ajuste de 12,646% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,455%, em queda de 4 pontos-base ante 13,497%.
Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o volume de serviços recuou 0,4% em dezembro ante novembro, na série com ajuste sazonal. Economistas ouvidos pela Reuters esperavam alta de 0,1%. Ainda assim, o setor de serviços terminou 2025 com elevação acumulada de 2,8%, o quinto ano consecutivo de ganhos.
No exterior, a queda dos rendimentos dos Treasuries, vista desde cedo, se consolidou após o Departamento do Trabalho dos EUA informar pela manhã que os pedidos iniciais de auxílio-desemprego caíram em 5.000, para 227.000 no país em dado ajustado sazonalmente, na semana encerrada em 7 de fevereiro. Economistas consultados pela Reuters previam 222.000 pedidos para a última semana.
Às 16h33, o rendimento do Treasury de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- caía 8 pontos-base, a 4,102%.
"Há um efeito (na ponta curta da curva) do mercado consolidando o 'call' de corte de juros no Brasil, com a inflação mais favorável. E o recuo dos rendimentos dos Treasuries também pode ter contaminado a curva daqui, contribuindo para a baixa na ponta longa", comentou durante a tarde Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, ao analisar o recuo das taxas dos DIs.
Às 11h30, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu o menor nível da sessão, de 12,620%, em baixa de 3 pontos-base. Já a taxa do DI para janeiro de 2035 marcou seu menor nível da sessão, de 13,430%, em dois momentos -- às 11h09 e às 14h33 -- com queda de 7 pontos-base.
A baixa das taxas dos DIs ocorreu a despeito de certa piora dos ativos de risco em todo o mundo a partir das 12h30 -- incluindo o Ibovespa e o real.
O economista-chefe da Western Asset, Adauto Lima, lembrou que mais recentemente o Ibovespa bateu recordes históricos e o dólar teve baixas fortes ante o real, em meio ao fluxo de investimentos estrangeiros para o Brasil.
"Mas se você pegar em termos de retorno dos ativos, os juros são os mais lentos neste processo recente. A bolsa subiu, o dólar caiu, mas a taxa de juros tem se movimentado muito pouco", opinou Lima, ao justificar o fato de a curva se manter em queda durante a tarde, mesmo com o avanço do dólar ante o real.
Na sexta-feira -- último dia antes do período de Carnaval no Brasil, que manterá o mercado fechado até quarta-feira que vem -- investidores estarão atentos à divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA. Os dados servirão para ajustes de posições sobre a decisão de política monetária do Federal Reserve, em março.
Nesta tarde, o mercado norte-americano precificava em 90,1% a chance de o Fed manter sua taxa de referência na faixa entre 3,50% e 3,75% em março, contra 9,9% de probabilidade de corte de 25 pontos-base, conforme a ferramenta CME FedWatch.
No Brasil, as opções de Copom negociadas na B3 precificavam na última terça-feira -- dado mais recente -- 68,50% de probabilidade de corte de 50 pontos-base da Selic em março, 21% de chance de redução de 25 pontos-base e 4,25% de possibilidade de baixa de 75 pontos-base. Atualmente a Selic está em 15% ao ano.
Para a reunião seguinte, de abril, a precificação era de 64,50% de chance para corte de 50 pontos-base, contra 23,50% de probabilidade de 75 pontos-base.