Taxas dos DIs caem após Suprema Corte dos EUA derrubar tarifas de Trump

20 fev 2026 - 16h45

As taxas dos DIs fecharam ‌a sexta-feira em baixa, na esteira de decisão da Suprema Corte dos EUA que derrubou tarifas comerciais impostas pelo presidente Donald Trump sobre outros países.

O movimento ocorreu em sintonia com a queda firme do dólar no Brasil e do fortalecimento do Ibovespa, com os ativos de maior risco sendo beneficiados pela decisão neste ⁠primeiro momento.

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No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 ‌estava em 12,54%, em baixa de 7 pontos-base ante o ajuste de 12,613% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para ‌janeiro de 2035 marcava 13,38%, com recuo de ‌6 pontos-base ante 13,443%.

A Suprema Corte dos EUA rejeitou as tarifas aplicadas ⁠por Trump com base em uma lei destinada a ser usada em emergências nacionais. O tribunal decidiu que a interpretação de que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) concede a Trump o poder de impor tarifas interferiria nas atribuições do Congresso e violaria a doutrina das "questões principais".

Essa ‌doutrina exige que as ações do Poder Executivo de "vasta importância econômica e política" sejam ‌claramente autorizadas pelo Congresso.

Anunciada no ⁠fim da manhã, ⁠a decisão da Suprema Corte fez disparar a busca global por ativos de maior risco. ⁠No Brasil, a reação foi de queda ‌das taxas dos DIs e ‌do dólar, que chegou a ser cotado abaixo dos R$5,18, com o Ibovespa zerando as perdas vistas mais cedo e passando a subir à tarde.

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Trump lamentou durante a tarde a decisão da Suprema Corte e disse que ⁠dispõe de métodos ainda mais rigorosos para impor tarifas, já anunciando que assinará uma ordem para impor uma tarifa global de 10%, em conformidade com a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, e prometendo iniciar novas investigações comerciais.

No exterior, os rendimentos dos Treasuries tiveram ‌movimento inverso e subiram, com os agentes se desfazendo de títulos norte-americanos após a decisão.

A estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi, lembrou que as tarifas de Trump ⁠haviam sido vendidas politicamente como uma fonte de receitas para redução do déficit dos Estados Unidos.

"A derrubada da maior parte dessas tarifas remove essa fonte potencial de consolidação fiscal no longo prazo, o que, em teoria, é negativo para o quadro fiscal marginalmente e pode afetar os juros de longo prazo, que já apresentam altas nesta manhã (nos EUA) em resposta à decisão", disse.

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Às 16h35, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 1 ponto-base, a 4,086%.

No fim da tarde, os títulos norte-americanos precificavam em 46,2% a chance de o Federal Reserve manter sua taxa de referência estável na decisão de política monetária de junho, contra 45,6% de probabilidade de corte de 25 pontos-base. Na véspera, os percentuais eram de 41,4% e 48,1%.

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