Investir em BDRs de tecnologia na B3, como SpaceX (SPCX34), Nvidia e Microsoft, permite aos brasileiros acessar o setor de inteligência artificial sem abrir conta no exterior. Apesar do alto volume de negociações, o recuo recente da SpaceX após seu IPO evidencia a volatilidade e os riscos desse mercado, sujeito a oscilações cambiais e expectativas infladas. Especialistas destacam que esses ativos são úteis para diversificação internacional, exigindo cautela e alinhamento ao perfil de risco.
Depois de estrear como um foguete, a SpaceX encontrou turbulência na Bolsa. O BDR SPCX34, que chegou a R$ 64,96 poucos dias após o IPO da empresa de Elon Musk, agora é negociado perto de R$ 48,37. Ainda assim, a companhia integra uma lista de BDRs de IA que permitem ao investidor brasileiro se expor à inteligência artificial e a outras tecnologias globais.
A SpaceX estreou simultaneamente em Wall Street e na B3 em 12 de junho. No primeiro pregão, o recibo avançou 18,15% e encerrou a R$ 54,74. O papel acumulou ganhos nos dias seguintes, mas atualmente está cerca de 25% abaixo do patamar alcançado em 18 de junho.
O movimento mostra que a exposição a empresas ligadas à inteligência artificial pode trazer ganhos expressivos, mas também elevada volatilidade. Além da SpaceX, companhias como Nvidia, Microsoft, Amazon e Alphabet possuem recibos negociados no Brasil.
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Como investir na SpaceX pela B3?
O BDR da SpaceX pode ser encontrado nas plataformas das corretoras pelo ticker SPCX34. A negociação ocorre em reais e segue uma dinâmica semelhante à compra e venda de ações brasileiras.
BDR é a sigla para Brazilian Depositary Receipt. O produto é um certificado negociado no Brasil que representa uma ação ou outro valor mobiliário emitido no exterior.
No caso da SpaceX, a proporção é de 15 BDRs para cada ação negociada nos Estados Unidos. O recibo é não patrocinado, o que significa que a própria companhia não participa diretamente de sua emissão.
A estrutura permite acessar a empresa sem abrir conta no exterior ou realizar uma remessa internacional. Mesmo negociado em reais, porém, o preço do BDR acompanha tanto o desempenho da ação original quanto a variação do dólar.
A SpaceX também ganhou espaço entre os recibos mais negociados da Bolsa brasileira. Segundo a B3, o SPCX34 movimentou R$ 1,8 bilhão em apenas 13 pregões de junho e chegou à quarta posição no ranking mensal. Em julho, ficou em sexto lugar.
Quais são os principais BDRs de IA na B3?
Além da SpaceX, o investidor encontra na B3 recibos de companhias que desenvolvem chips, plataformas digitais, serviços em nuvem e ferramentas utilizadas na expansão da inteligência artificial.
Entre os principais nomes estão:
- SpaceX (SPCX34);
- Nvidia (NVDC34);
- Apple (AAPL34);
- Microsoft (MSFT34);
- Amazon (AMZO34);
- Alphabet (GOGL34);
- Meta Platforms (M1TA34);
- AMD (A1MD34);
- Broadcom (AVGO34);
- Micron Technology (MUTC34).
A Nvidia aparece como uma das principais fornecedoras de chips usados em data centers de IA. AMD e Broadcom também atuam no desenvolvimento de semicondutores e infraestrutura tecnológica, enquanto a Micron produz soluções de memória e armazenamento.
Microsoft, Amazon e Alphabet concentram parte relevante do mercado global de computação em nuvem, necessário para o treinamento e a operação dos modelos de inteligência artificial. Meta e Apple também investem na incorporação da tecnologia em seus produtos e plataformas.
Já a SpaceX passou a ser associada à IA por seus planos de desenvolver data centers em órbita. Elon Musk afirmou que a companhia pretende iniciar, ainda em 2026, o lançamento de satélites voltados ao processamento de inteligência artificial, utilizando chips da Nvidia.
Vale a pena investir em BDRs ligados à inteligência artificial?
A exposição internacional pode ajudar a diversificar a carteira entre moedas, setores e regiões. Contudo, os BDRs continuam sendo ativos de renda variável e podem sofrer quedas fortes, como mostra o desempenho recente do SPCX34.
A estrategista de investimentos do Banco do Brasil, Laís Reis, considera que a exposição à inteligência artificial pode fazer sentido para o investidor brasileiro, desde que respeite seu perfil.
"É algo importante de ter no portfólio para diversificação, mas no limite de tolerância a risco que você aguenta", afirma a especialista.
Além dos riscos individuais de cada companhia, o investidor deve considerar a possibilidade de os preços já refletirem expectativas muito otimistas para o crescimento da IA. Resultados abaixo das projeções, aumento da concorrência ou redução dos investimentos em tecnologia podem pressionar as cotações.
Por isso, antes de escolher os BDRs de IA, é importante avaliar os fundamentos das empresas, a participação de cada ativo na carteira e a capacidade de suportar oscilações no longo prazo.