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Setor público tem déficit primário de R$ 56 bi em maio, acima do esperado; dívida vai a 81,1% do PIB

Em valores nominais, dívida bruta do governo ficou em R$ 10,6 trilhões; pico da série foi em dezembro de 2020, quando chegou a 87,6% do PIB devido às medidas fiscais do início da pandemia

30 jun 2026 - 10h41

BRASÍLIA - O setor público consolidado (governo central, Estados, municípios e estatais, à exceção de Petrobras) teve déficit primário de R$ 56,131 bilhões em maio, após superávit de R$ 24,624 bilhões em abril, informou o Banco Central. Em maio de 2025, o resultado foi deficitário em R$ 33,740 bilhões.

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O déficit do mês passado foi maior do que o previsto pela mediana da pesquisa Projeções Broadcast, de R$ 53,900 bilhões. As estimativas, todas negativas, iam de R$ 57,049 bilhões a R$ 38,900 bilhões.

O resultado foi o maior déficit para o mês desde maio desde 2024, quando somou R$ 63,895 bilhões.

No acumulado de janeiro a maio, setor público consolidado teve déficit primário de R$ 24,883 bilhões, segundo o BC
No acumulado de janeiro a maio, setor público consolidado teve déficit primário de R$ 24,883 bilhões, segundo o BC
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil / Estadão

Em maio de 2026, o governo central (Tesouro Nacional, BC e INSS) teve déficit primário de R$ 55,169 bilhões, segundo a metodologia da autoridade monetária. Estados e municípios tiveram déficit de R$ 1,236 bilhão. As empresas estatais tiveram superávit de R$ 273 milhões.

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Isoladamente, os Estados tiveram déficit de R$ 956 milhões, e os municípios, déficit de R$ 280 milhões.

No acumulado de janeiro a maio, o setor público consolidado teve déficit primário de R$ 24,883 bilhões. O montante equivale a 0,45% do Produto Interno Bruto (PIB).

O resultado reflete um déficit primário de R$ 46,139 bilhões nas contas do governo central, o equivalente a 0,83% do PIB, somando a um déficit acumulado de R$ 7,413 bilhões, ou 0,13% do PIB, das empresas estatais. Os governos regionais, por outro lado, registram um superávit de R$ 28,669 bilhões (0,52% do PIB).

Isoladamente, os Estados têm superávit de R$ 20,054 bilhões no acumulado de janeiro a maio (0,36% do PIB), e os municípios, saldo positivo de R$ 8,615 bilhões (0,16% do PIB).

O setor público consolidado teve déficit nominal de R$ 163,679 bilhões em maio, após um déficit de R$ 60,139 bilhões em abril. Em maio de 2025, o resultado nominal havia sido negativo em R$ 125,885 bilhões.

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O resultado nominal representa a diferença entre receitas e despesas do setor público, contando o pagamento dos juros da dívida pública.

O déficit nominal do setor público atingiu R$ 483,884 bilhões, ou 8,74% do PIB, no acumulado do ano. Em 12 meses, o déficit soma R$ 1,260 trilhão, ou 9,62% do PIB.

O governo central teve déficit nominal de R$ 153,063 bilhões no mês passado. Os governos regionais tiveram saldo negativo de R$ 10,318 bilhões, enquanto as empresas estatais tiveram déficit nominal de R$ 298 milhões.

Dívida bruta sobe a 81,1% do PIB

A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) como proporção do PIB aumentou de 80,2% em abril (revisado, de 80,4%) para 81,1% em maio. Em valores nominais, passou de R$ 10,443 trilhões para R$ 10,622 trilhões.

O pico da série foi em dezembro de 2020 (87,6%), devido às medidas fiscais do início da pandemia de covid-19. No nível mais baixo, em dezembro de 2013, a dívida bruta chegou a 51,5% do PIB.

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Pelo conceito do Fundo Monetário Internacional (FMI), a DBGG subiu de 92,9% do PIB (revisado, de 93,1%) em abril para 94,3% no mês passado.

A DBGG — que abrange o governo federal, os governos estaduais e municipais, excluindo o BC e as empresas estatais — é uma das referências para avaliação, por parte das agências globais de classificação de risco, da capacidade de solvência do País. Na prática, quanto maior a dívida, maior o risco de calote por parte do Brasil.

A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) — que leva em conta as reservas internacionais do Brasil — aumentou de 67,2% do PIB (revisado, de 67,4%) em abril para 67,9% em maio. Em reais, atingiu R$ 8,898 trilhões.

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