Rotas da TAP para o Brasil se tornam um dos trunfos para a privatização da companhia portuguesa

A companhia aérea TAP Air Portugal se tornou alvo de uma disputa acirrada entre os gigantes europeus Air France-KLM e Lufthansa, que buscam adquirir quase metade de seu capital. Apesar do cenário desafiador da aviação global, a empresa portuguesa atrai investidores graças às suas rotas estratégicas para o Brasil, a África e os Estados Unidos.

3 abr 2026 - 15h39

Altin Lazaj, da RFI em Paris

A TAP se transformou em um dos principais alvos de interesse no setor aéreo europeu. Os grupos Air France-KLM e Lufthansa entraram oficialmente na disputa para adquirir até 49,9% do capital da companhia portuguesa, com 5% reservados aos seus funcionários. O interesse das duas gigantes surpreende, especialmente em um momento marcado pela guerra no Oriente Médio, que perturba rotas internacionais, e pelo aumento do preço do querosene, que levou algumas empresas a deixar aviões no chão.

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A explicação para essa disputa está nos trunfos estratégicos da TAP. O principal deles é o fato de a companhia operar a partir de seu hub em Lisboa, com rotas valiosas e menos afetadas por conflitos, como a América do Sul, os países africanos de língua portuguesa e os Estados Unidos.

A companhia se destaca, especialmente, por suas rotas para o Brasil, um mercado promissor da aviação internacional. Com voos diretos para cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza e Porto Alegre, a TAP não apenas conecta duas nações com laços históricos e culturais profundos, mas também domina um fluxo constante de passageiros, que inclui desde turistas e estudantes até executivos e empresários.

Mas o Brasil não é o único atrativo. A TAP também opera voos para países africanos de língua portuguesa, como Angola e Moçambique, mercados em crescimento e com forte demanda por conexões com a Europa. Essas conexões permitiriam que concorrentes europeus ampliassem suas redes e capturassem mais passageiros em regiões estáveis.

Além disso, suas rotas para os Estados Unidos, especialmente para cidades como Nova York e Boston, complementam uma rede de voos de longa distância que é estratégica para qualquer gigante da aviação.

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Momento ideal para a privatização

Embora a TAP tenha enfrentado dificuldades financeiras durante a pandemia de Covid-19, quando foi nacionalizada e recebeu um plano de resgate de 3,2 bilhões de euros do governo português, a empresa se recuperou e voltou a registrar lucros. Em 2023, transportou cerca de 17 milhões de passageiros, um crescimento de 3,4% em relação ao ano anterior, operando uma frota de aproximadamente 100 aviões Airbus e empregando 7.700 funcionários.

Para o governo português, esse parece ser o momento ideal para avançar com a privatização parcial da TAP. A medida permitiria recuperar parte do valor injetado na empresa durante a crise, mantendo o controle acionário com 50,1% das ações. Além disso, a entrada de um grande grupo aéreo no capital da companhia traria investimentos essenciais para modernizar a frota e expandir sua rede de destinos. Apesar de sua posição forte em mercados específicos, a TAP ainda é menor e mais vulnerável que seus principais concorrentes, o que reforça a necessidade de parcerias estratégicas para garantir sua competitividade no futuro.

Parcerias entre companhias aéreas

O processo de privatização da TAP não é um caso isolado, mas sim parte de um movimento mais amplo de consolidação no setor aéreo europeu. Nos últimos anos, grandes grupos têm buscado fortalecer suas posições por meio de aquisições e parcerias.

A Air France-KLM, por exemplo, adquiriu participação na companhia escandinava SAS, enquanto o grupo Lufthansa, que já controla empresas como Swiss, Eurowings, Brussels Airlines e Austrian Airlines, assumiu o controle da italiana ITA Airways, sucessora da Alitalia. Essa tendência de concentração em torno de poucos gigantes levanta debates sobre o risco de enfraquecimento da concorrência e os impactos sociais, uma vez que fusões e aquisições costumam resultar em cortes de postos de trabalho.

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No caso da TAP, o desafio será equilibrar os interesses dos novos investidores com a preservação de sua identidade e de seus empregos.

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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