O grupo hoteleiro espanhol Meliá informou que encerrou todas as operações de seus 34 hotéis em Cuba nesta sexta-feira, em meio ao endurecimento das sanções dos EUA e à crescente crise econômica da ilha.
A Meliá citou dificuldades operacionais, jurídicas e financeiras como os fatores determinantes para sua saída da ilha, onde mantinha presença significativa desde 1990. Os hotéis eram administrados por meio de sua subsidiária portuguesa, a Ilha Bela Gestão e Turismo.
A retirada total de Cuba na sexta-feira segue o anúncio da Meliá, no mês passado, de que estava encerrando as operações de 15 de seus 34 hotéis.
Sua retirada vem após recentes anúncios semelhantes das redes privadas Iberostar e Barceló, marcando o fim de décadas de participação das três principais redes hoteleiras espanholas no mercado turístico da ilha.
O turismo, um dos principais motores da economia cubana, sofreu uma forte queda este ano, à medida que a ilha enfrenta uma crise econômica cada vez mais grave em meio a um bloqueio petrolífero imposto pelos EUA no início de 2026. Entre janeiro e abril, o número de visitantes internacionais caiu para 328.608, uma queda de 56% em relação ao mesmo período de 2025.
"Não há fluxo turístico, não há renda e não há economia. O impacto é enorme", disse Teresa Carrillo, moradora de Havana de 62 anos.
A pressão de Washington aumentou no início deste mês, quando os EUA impuseram sanções ao Ministério do Turismo de Cuba.
O fechamento dos hotéis ocorre em meio a um êxodo mais amplo de empresas internacionais, incluindo instituições financeiras e de logística, que avaliam o risco crescente de operar em Cuba após o endurecimento das sanções por parte de Washington.
A Visa e a Mastercard interromperam várias operações, enquanto companhias aéreas importantes, como a Air France, a Turkish Airlines, a Iberia e a World2Fly, suspenderam voos para a ilha.