Quanto e como guardar dinheiro? Consultor orienta

Especialista explica quanto guardar, onde deixar o dinheiro e quais erros podem comprometer a saúde financeira no longo prazo

3 jun 2026 - 17h19

Imprevistos acontecem — e quando eles chegam, ter uma reserva de emergência pode ser o que separa um momento difícil de uma crise financeira. Ainda assim, muitos brasileiros seguem sem qualquer valor guardado para lidar com desemprego, problemas de saúde ou gastos inesperados - e nem sequer sabem quanto e como guardar dinheiro.

Foto: Revista Malu

A boa notícia é que começar não depende de altos salários, mas sim de organização e constância. Segundo o consultor financeiro da Fire|ce, Enzo de Souza Providello, o primeiro passo é entender que reserva de emergência não é investimento para lucro rápido — é proteção financeira.

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Quanto e como guardar dinheiro? A resposta depende da sua realidade

Muita gente acredita que existe um valor exato para a reserva de emergência, mas Enzo explica que o cálculo muda conforme a profissão e a estabilidade da renda.

"Primeiro de tudo, a pessoa deve levar em conta se é assalariada (CLT) ou autônoma. O recomendado é que cada pessoa tenha como reserva pelo menos um ano do seu padrão de vida atual.", explica.

Na prática, o cálculo começa pelo custo de vida mensal. Se uma pessoa gasta R$ 1.200 por mês para manter suas despesas básicas, por exemplo, ela deve multiplicar esse valor por seis caso seja CLT — considerando o período coberto pelo seguro-desemprego. Já para autônomos, o ideal é multiplicar por doze, justamente pela ausência dessa segurança.

Além disso, Enzo recomenda dividir a reserva em categorias para facilitar o controle e evitar o uso inadequado do dinheiro:

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  • 10% para emergências imediatas;
  • 40% para gastos relacionados a bens;
  • 50% voltados para situações como desemprego.

Emergência não é qualquer gasto inesperado

Outro ponto importante é entender o que realmente é uma emergência. Trocar de celular por vontade própria ou aproveitar uma promoção não deve entrar nessa conta.

A reserva deve ser usada para situações inevitáveis e urgentes, como perda de renda, problemas de saúde, manutenção essencial da casa ou do carro e despesas inesperadas que impactem diretamente a rotina financeira.

"Muitos utilizam o montante da reserva para consumos impulsivos ou acabam subestimando o custo de vida real", alerta o especialista.

Segundo ele, esse comportamento cria um efeito perigoso no longo prazo. Sem uma reserva sólida, qualquer contratempo leva o brasileiro a recorrer ao cheque especial, cartão de crédito ou empréstimos.

"No longo prazo, a ausência de uma reserva compromete drasticamente a saúde financeira, porque obriga o indivíduo a recorrer a dívidas diante de qualquer imprevisto. Esse ciclo corrói o patrimônio e impede que os juros compostos trabalhem a favor da construção de riqueza", explica Enzo.

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Onde deixar o dinheiro da reserva?

Quando o assunto é reserva de emergência, segurança e liquidez vêm antes da rentabilidade. Ou seja: o dinheiro precisa estar acessível rapidamente.

Por isso, aplicações de longo prazo ou investimentos muito voláteis não são indicados para essa finalidade.

Na avaliação de Enzo, a poupança já não acompanha a inflação como antes e perdeu espaço para alternativas mais eficientes da renda fixa.

"As alternativas mais eficientes hoje são ativos que rendam pelo menos 100% do CDI, como CDBs, LCIs, LCAs, caixinhas de investimento e fundos de renda fixa", destaca.

Ele lembra, porém, que os fundos exigem mais atenção por não contarem com a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), o que torna importante buscar orientação antes de investir.

Como começar mesmo com orçamento apertado?

Para quem acredita que sobra pouco ou quase nada no fim do mês, Enzo reforça que a construção da reserva começa na organização financeira.

"A baixa adesão à reserva de emergência no Brasil está profundamente ligada à falta de educação financeira, o que gera a percepção de que poupar é um sacrifício distante da realidade", diz.

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A recomendação é simples: anotar todos os gastos, separar despesas fixas das variáveis e identificar pequenos desperdícios do dia a dia.

Como regra geral, o consultor sugere a seguinte divisão da renda:

50% para custos fixos;

30% para gastos variáveis;

20% para investimentos.

Mesmo assim, ele reforça que o mais importante é criar o hábito de guardar dinheiro antes de gastar.

"Guardar 10% de tudo o que ganha antes de pagar as contas principais e estabelecer um objetivo claro para aquele valor ajuda a manter a disciplina e a motivação", conclui.

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No fim das contas, a reserva de emergência não é apenas sobre dinheiro parado. É sobre tranquilidade, segurança e liberdade para atravessar momentos difíceis sem transformar um imprevisto em uma bola de neve financeira.

Revista Malu
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