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Quantas vezes a Bolsa brasileira já acionou o circuit breaker? Veja histórico

Reservado a momentos de extrema turbulência no mercado financeiro, o mecanismo foi utilizado pela primeira vez em 1997

26 out 2026 - 18h12
Resumo
A Bolsa brasileira acionou o circuit breaker pela 24ª vez em sua história após a reeleição de Lula, marcando a primeira interrupção causada por um resultado eleitoral. O mecanismo paralisa negociações diante de quedas de 10% no Ibovespa, que despencou 10,47% com a frustração das apostas do mercado na oposição, fechando em -8,8%. Utilizado em crises globais e nacionais desde 1997, o procedimento não ocorria desde o início da pandemia em março de 2020.

A Bolsa brasileira já registrou 24 episódios de circuit breaker desde 1997. O mecanismo, que suspende temporariamente as negociações quando o Ibovespa registra queda de 10% em relação ao fechamento anterior, é reservado a momentos de extrema turbulência no mercado financeiro. Nesta segunda-feira, 26, o dispositivo foi acionado depois da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito para o quarto mandato.

Esta foi a primeira vez que uma eleição presidencial causou o acionamento do mecanismo na história da B3. Até então, a última interrupção havia ocorrido em março de 2020, durante a crise financeira desencadeada pela pandemia de covid-19.

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Lula conquistou a vitória com 51,8% dos votos válidos, contra 48,2% de Flávio Bolsonaro (PL), cujo partido elegeu 19 senadores no primeiro turno do pleito deste ano. O resultado da eleição presidencial contrariou as expectativas de parte dos investidores, que haviam apostado em uma vitória da oposição e passaram a desfazer posições montadas nas semanas anteriores à votação.

'Circuit breaker' é acionado em momentos de turbulência econômica, política e financeira, diante de quedas acentuadas na Bolsa brasileira
'Circuit breaker' é acionado em momentos de turbulência econômica, política e financeira, diante de quedas acentuadas na Bolsa brasileira
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

O que é circuit breaker?

O circuit breaker é um procedimento operacional da B3 que interrompe temporariamente as negociações em momentos de forte queda do mercado. Ele tem como referência a variação do Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro de ações. Segundo a B3, a suspensão desta segunda-feira atingiu a negociação de ativos à vista, de títulos de renda fixa privada e de opções referenciadas em ações, BDRs, Ibovespa, Ibovespa B3 BR+, IBrX-50, Índice Small Cap e ETFs.

As negociações são suspensas por 30 minutos quando o Ibovespa registra queda de 10% em relação ao fechamento do dia anterior. Após a retomada das negociações, se o índice atingir queda de 15% em relação ao fechamento anterior, os negócios são suspensos novamente, desta vez por uma hora. Se, após essa pausa, a queda chegar a 20%, a B3 pode determinar uma nova interrupção por período definido pela própria instituição.

O mecanismo considera a oscilação registrada durante a sessão, independentemente de qual seja o resultado ao final do dia. O Ibovespa chegou a despencar 10,47% nesta segunda, o suficiente para acionar o circuit breaker, mas recuperou parte das perdas e encerrou o pregão com queda de 8,8%.

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Quando o circuit breaker foi acionado no Brasil?

A primeira vez que a B3 acionou o circuit breaker foi em 1997, durante a crise financeira na Ásia. Veja a seguir os diferentes momentos nos quais o mecanismo foi utilizado:

  • 1997: Crise asiática

A turbulência iniciada em economias do Sudeste Asiático se espalhou pelos mercados internacionais e atingiu o Brasil. A Bolsa acionou o circuit breaker três vezes, em 28 de outubro, 7 de novembro e 17 de novembro.

  • 1998: Crise russa

O colapso financeiro da Rússia provocou uma nova onda de aversão ao risco nos mercados emergentes. O mecanismo foi acionado cinco vezes ao longo do ano.

  • 1999: Crise cambial brasileira

A mudança do regime cambial, que levou à adoção do câmbio flutuante, provocou forte instabilidade no mercado doméstico. Houve duas interrupções, em 13 e 14 de janeiro.

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  • 2008: Crise financeira global

A crise originada no mercado imobiliário americano, agravada pela quebra do Lehman Brothers, atingiu bolsas ao redor do mundo. No Brasil, o circuit breaker foi acionado seis vezes entre setembro e outubro.

  • 2017: Joesley Day

A divulgação de uma gravação envolvendo Joesley Batista e Michel Temer abalou o governo e provocou uma queda de mais de 10% do Ibovespa durante o pregão de 18 de maio.

  • 2020: Pandemia de covid-19

A combinação entre a disseminação do coronavírus, a queda dos preços internacionais do petróleo e as restrições à atividade econômica provocou seis acionamentos em apenas oito pregões de março. Dois ocorreram no mesmo dia, em 12 de março.

  • 2026: Reeleição de Lula

Em 26 de outubro, a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro desencadeou uma forte liquidação de ativos brasileiros. A B3 interrompeu o pregão por 30 minutos, no primeiro acionamento do mecanismo desde a pandemia e no primeiro episódio associado diretamente ao resultado de uma eleição presidencial.

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