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Taxas dos DIs disparam mais de 250 pontos-base após Lula superar Flávio na eleição

26 out 2026 - 17h16
Resumo
As taxas dos DIs fecharam em forte alta nesta segunda-feira, subindo mais de 250 pontos-base, após a vitória de Lula contra Flávio Bolsonaro surpreender o mercado, que previa maior controle fiscal com o senador. O resultado gerou paralisações na B3, queda no Ibovespa e alta do dólar, levando o Tesouro Nacional a recomprar títulos para conter a disparada. Com a deterioração das expectativas, a curva passou a precificar a manutenção ou até elevação da taxa Selic nas próximas reuniões do Copom.

As taxas dos DIs fecharam a segunda-feira pós-eleição com fortes ‌altas, superiores a 250 pontos-base em alguns contratos, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) superar o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Planalto, surpreendendo o mercado.

A disparada dos prêmios na curva reflete tanto um ajuste em relação às baixas vistas após o primeiro turno, quando Flávio estava à frente de Lula, quanto as preocupações dos investidores com o futuro da política fiscal.

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No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,8%, em alta de 194 pontos-base ante o ajuste ⁠de 12,859% da última sexta-feira, antes do segundo turno. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro ‌de 2031 estava em 15,185%, com elevação de 254 pontos-base ante 12,642%.

O início da sessão foi marcado por paralisações nos negócios com DIs após as taxas de vários vencimentos atingirem limites de alta. A B3 anunciou a expansão desses limites ainda pela manhã, ‌mantendo pausas para que o mercado encontrasse preços de equilíbrio.

Às 11h02, após uma ‌paralisação, a taxa do DI para janeiro de 2031 atingiu a máxima intradia de 15,940%, em alta de 330 pontos-base ⁠ante o ajuste de sexta-feira.

O movimento foi consequência direta da vitória de Lula sobre Flávio no segundo turno da disputa presidencial, por 51,79% a 48,21% dos votos válidos. Como o mercado estava em grande parte posicionado para uma vitória de Flávio, o ajuste na curva foi inevitável.

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Isso porque com Flávio no Planalto o mercado enxergava chances maiores de controle das contas públicas -- ainda que nem o candidato nem seus assessores econômicos tenham apresentado durante a campanha propostas concretas para reduzir gastos.

Como Lula venceu, o mercado voltou a incorporar ‌prêmios à curva, em especial entre os contratos de longo prazo, mais suscetíveis à política fiscal. O movimento ocorreu em paralelo à ‌forte queda do Ibovespa e à disparada do ⁠dólar ante o real.

A disparada ⁠desta segunda-feira colocou as taxas inclusive acima dos patamares vistos antes do primeiro turno da eleição presidencial, o que sugere que o mercado não ⁠apenas reincorporou à curva os prêmios perdidos anteriormente quanto acrescentou mais prêmios.

A taxa ‌do DI para janeiro de 2031, por ‌exemplo, que encerrou a sessão regular desta segunda-feira em 15,185%, estava em 13,99% no dia 2 de outubro, antes do primeiro turno.

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Assim como a B3, o Tesouro atuou ao longo do dia para tentar acalmar o mercado. O órgão anunciou pela manhã o cancelamento do tradicional leilão de títulos indexados à inflação na terça-feira e o cancelamento do leilão de papéis ⁠prefixados na quinta-feira. Por outro lado, manteve o leilão regular de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), títulos indexados à taxa básica Selic, previsto para terça-feira.

Em outra frente, o Tesouro recomprou cerca de R$7,1 bilhões de títulos prefixados em posse do mercado no fim da manhã e mais R$7,7 bilhões em títulos indexados à inflação durante a tarde. Ao promover a recompra de títulos, o Tesouro atuou para suavizar a disparada das taxas.

O triunfo de Lula também alterou de ‌forma substancial a parte curta da curva de DIs, que passou a precificar a possibilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central não cortar a Selic, hoje em 13,75%, na próxima semana.

No auge da pressão, durante a manhã, a curva ⁠chegou a precificar aumento de 25 pontos-base da Selic na próxima semana, sendo que na sexta-feira havia quase 100% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base.

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No fim da tarde, a curva já precificava manutenção da Selic na próxima semana, com elevação de 25 pontos-base em dezembro e 50 pontos-base em janeiro.

"O mercado está muito disfuncional", resumiu Lais Costa, analista da Empiricus Research, que na noite de domingo já havia alertado para a tendência de fortes altas para as taxas nesta segunda-feira.

Segundo ela, a nova precificação da Selic ocorre por conta do dólar, que chegou a oscilar acima dos R$5,50 durante o dia, e da deterioração das expectativas.

O boletim Focus divulgado mais cedo trouxe projeções calculadas apenas até a última sexta-feira -- portanto antes do segundo turno. Nele, as expectativas de inflação dos economistas do mercado estão em 5,19% em 2026, 4,34% em 2027 e 3,75% em 2028. No caso do dólar, a projeção é de R$5,05 no fim deste ano.

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Assim como a curva passou por ajustes, essas projeções tendem a ser revistas nesta semana pelos economistas, já sob a perspectiva de continuidade do governo Lula.

Sem efeito nas negociações desta segunda-feira, às 16h55 o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 1 ponto-base, a 4,98%.

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