A Equatorial foi confirmada como investidora de referência da privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) após a desistência do consórcio formado por sócios da Aegea, conforme antecipou o Estadão/Broadcast. Por meio da Gerais Saneamento, o grupo ficará com 30% da estatal mineira em uma operação estimada em cerca de R$ 6 bilhões.
A definição do investidor estratégico foi anunciada pela Copasa na noite desta quarta-feira, 3. A oferta saiu a R$ 49,03 por ação, correspondente a R$ 5.593.142.406,63 pela totalidade das Ações da Alocação Prioritária. O valor final por ação ficou 3,08% acima do valor mínimo.
Como o Investidor de Referência Finalista indicou interesse em uma eventual alocação adicional de até 48 milhões de ações da Oferta Profissional, o investimento total poderá chegar a R$ 7,95 bilhões, considerando a totalidade das ações da Alocação Prioritária e a alocação máxima adicional pretendida.
A disputa precisou ser reiniciada após o governo de Minas Gerais considerar insuficientes os valores apresentados pelos interessados na primeira rodada do processo, realizada no fim de maio.
Com a operação, a participação do governo de Minas cai de 50% para 5%; a fatia de ações em circulação no mercado ("free float") salta de 49,6% para 64,6%; e se mantém uma participação minoritária de 0,4% de outros acionistas (veja imagem).
Com o negócio, a Equatorial passa a ser acionista de referência das duas maiores companhias de saneamento do País. Desde junho de 2024, o grupo detém 15% da Sabesp, participação adquirida por quase R$ 7 bilhões durante a privatização da companhia paulista.
A Copasa está entre os principais ativos ainda sob controle estatal no setor de saneamento brasileiro. Presente no segundo Estado mais populoso do País, a companhia opera em 636 municípios e atende cerca de 75% das cidades mineiras. A cobertura de abastecimento de água supera 99%, enquanto a de esgotamento sanitário alcança 80,4%.
Processo
Prevista inicialmente para o primeiro trimestre de 2026, a privatização só foi lançada em 21 de maio, após a aprovação do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG). Com a rejeição das propostas apresentadas na primeira rodada, o governo mineiro decidiu retomar o processo e fixou um preço mínimo de R$ 47,23 por ação para as propostas vinculantes.
Na ocasião, um dos participantes foi a Livorno Participações, plataforma de investimentos formada por Equipav, o fundo soberano de Singapura GIC e Itaúsa, com 33% de participação cada, além da própria Aegea, que detém 1%. Na nova etapa, porém, o grupo optou por não apresentar proposta.
Para viabilizar a operação, a Equatorial fechou acordos com Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Itaú Unibanco para emissão de carta de fiança bancária de até R$ 7 bilhões.
A etapa seguinte da privatização será a oferta de ações ao mercado, que poderá movimentar cerca de R$ 3 bilhões adicionais. A precificação está prevista para o próximo dia 11.
A notícia da entrega da proposta da Equatorial impulsionou os papéis da Copasa. Após o leilão de fechamento desta quarta-feira na B3, as ações da companhia dispararam no pregão desta quarta-feira, com valorização de cerca de 13%, a R$ 60, maior preço de fechamento da história do papel. Já a Equatorial ON subiu 1,89%, na máxima diária de R$ 39,81.