Com recuo de 4,50% em janeiro para 4,10% em fevereiro, a prévia da inflação em 12 meses continua bem acima da meta oficial, 3%, segundo mostrou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Puxado principalmente pelos custos da educação, com aumento de 5,20%, o índice teve elevação mensal de 0,84%, superando por 0,64 ponto porcentual o resultado de janeiro. Reajustes anuais, programados normalmente para esse período, pressionaram esses gastos.
Os custos de alimentação e bebidas, especialmente pesados para as famílias de rendas média e baixa, subiram 0,20%, depois de terem aumentado 0,31% em janeiro. No mês, o custo de comer e beber elevou-se bem menos que as despesas com transportes, saúde e comunicação.
Com a variação acumulada nos 12 meses até fevereiro, o IPCA-15 continua acima do resultado previsto no mercado para a inflação deste ano, 3,91% segundo o boletim Focus. O último dado é em boa parte explicável por fatores sazonais, como o reajuste de gastos escolares, mas outras pressões sazonais ocorrerão, normalmente, em outras fases do ano.
A boa oferta de alimentos, facilitada por uma safra bem-sucedida, tem permitido uma evolução moderada dos preços no varejo. Mas uma redução mais firme da tendência inflacionária continua a depender de uma contenção confiável dos gastos do governo, embora o resultado possa ser também afetado pela evolução do preço do dólar. Mas essa evolução depende em parte da avaliação das condições brasileiras pelos investidores internacionais.