CSN caminha para fechar empréstimo de até US$ 1,5 bi com garantia das ações da divisão de cimentos

Companhia pretende usar recursos para quitar títulos de dívida emitidos no exterior; dívida líquida da CSN somava R$ 37,545 bi ao final do 3º trimestre de 2025

27 fev 2026 - 13h52

A CSN avançou em negociações e caminha para concluir um empréstimo colateralizado com um grupo de bancos, linha que tem as ações da CSN Cimentos entre as garantias, como apurou o Estadão/Broadcast.

O montante envolvido varia de US$ 1,35 bilhão e US$ 1,5 bilhão. O valor final ainda depende de discussões que acontecem em torno dos termos do empréstimo, envolvendo juros e mais garantias, disseram pessoas a par das conversas. Uma delas afirmou que a perspectiva para a conclusão do empréstimo em março é positiva.

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Procurados, a CSN e os bancos não comentaram.

A companhia pretende usar os recursos para quitar títulos de dívida emitidos no exterior (bonds) que vencem em abril deste ano, assim como dívidas bancárias e recomprar parte dos bonds que vencem em 2028, disseram pessoas a par do assunto. A maior parte dos vencimentos em 2026 se concentra, no entanto, junto aos bancos. Conforme o balanço mais recente, do terceiro trimestre do ano passado, os vencimentos com bancos somam este ano R$ 6,2 bilhões.

Dívida líquida da CSN somava R$ 37,545 bilhões ao final do terceiro trimestre
Dívida líquida da CSN somava R$ 37,545 bilhões ao final do terceiro trimestre
Foto: Marcos Arcoverde/Estadão / Estadão

Morgan Stanley e Santander, que receberam mandato para a venda da CSN Cimentos, estão entre as instituições que compõem o sindicato, disseram essas pessoas. O sindicato é formado ainda por Citi, Deutsche Bank, Banco do Brasil, BNP Paribas e HSBC e pode envolver mais bancos.

A solução está sendo buscada diante das dificuldades da companhia de refinanciar suas dívidas e é uma das alternativas na mesa. Além disso, levaria os bancos a trocar suas dívidas por compromissos com garantia. A dívida líquida da CSN somava R$ 37,545 bilhões ao final do terceiro trimestre, sendo R$ 26,9 bilhões entre este ano e 2028.

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Mercado externo

A capacidade de a companhia acessar o mercado de dívida externa para fazer frente a seus compromissos com uma nova emissão é vista com ceticismo, uma vez que teria de pagar um prêmio elevado aos investidores para colocar um novo papel.

A sequência de problemas com grandes empresas brasileiras, como Braskem e Raízen, prejudicou o ambiente para novas captações brasileiras no exterior. A CSN, dado o alto endividamento, entrou no radar dos investidores estrangeiros, que temem mais uma reestruturação forçada de suas dívidas.

Nesta semana, a Fitch rebaixou o rating da companhia de BB- para B e manteve a observação negativa, refletindo os desafios da empresa na execução de sua estratégia de desalavancagem por meio da venda de ativos no médio prazo.

Em meados de janeiro, a empresa anunciou a alienação de ativos para equacionar "em definitivo" a estrutura de capital do grupo. Além da venda da operação de cimentos, a companhia contratou o Citi para, em conjunto com o Bradesco, atrair sócios ao negócio de infraestrutura.

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