Os presidentes-executivos de dois dos maiores bancos brasileiro afirmaram nesta quinta-feira que esperam novos cortes na taxa Selic, ressaltando que o atual nível da taxa de juros brasileira tem efeitos nocivos para a economia.
O comentário foram feitos um dia após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortar a Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,00% ao ano, deixando os próximos passos em aberto, argumentando que manterá "a restrição adequada" para assegurar a convergência da inflação à meta.
Apesar do quarto corte seguido, a taxas permanece entre as mais altas do mundo.
Na visão do presidente-executivo do Bradesco, Marcelo Noronha, com os indicadores de inflação recentes, ocorrerão novas quedas da taxa de juros.
"A taxa de juros real... está muito alta no Brasil. Acho que a política monetária já fez o efeito. Ela jogou a inflação para baixo. Eu não vejo por que o Copom não reduzir. Em que magnitude, em que velocidade? Vamos acompanhar, mas eles estão sendo conservadores, eu acho até na comunicação", disse.
"Eu acho que a gente vai ver essa taxa de juros continuar a cair", afirmou, durante a coletiva de imprensa sobre o balanço do banco divulgado na véspera.
Ele acrescentou que quando a taxa fica elevada por um longo tempo machuca aquelas empresas que têm margem e dívida comprimidas.
"Não é positivo para o mercado de crédito", reforçou, citando que o comprometimento de renda da pessoa física, na média, cresceu e o mercado como um todo está mais restritivo.
Em paralelo, o presidente-executivo do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, afirmou que Brasil precisa trabalhar para reduzir as taxas de juros para um dígito e criar as condições para custos de empréstimo estruturalmente menores.
"As altas taxas de juros são ruins para todos," disse Maluhy, em entrevista à GloboNews nesta quinta-feira, acrescentando que elas desaceleram a atividade econômica, restringem o investimento empresarial e afetam os gastos das famílias.
Na véspera, na coletiva de imprensa para comentar o balanço do Itaú no segundo trimestre, o executivo já havia destacado que juros muito altos por tempos prolongados geram, sem dúvida, uma pressão na atividade, na economia e no endividamento, não só das empresas, como das famílias. E acrescentou que o comprometimento de renda continua bastante elevado.