Presidente do BC do Japão promete continuar aumentando juros de olho em conflito no Oriente Médio

4 mar 2026 - 08h40
(atualizado às 09h30)

O presidente do Banco do ‌Japão, Kazuo Ueda, afirmou que o banco central continuará a aumentar a taxa de juros se suas previsões econômicas se concretizarem, mas alertou para o potencial impacto do conflito no Oriente Médio sobre o crescimento global.

Os preços das ações globais caíram uma vez que o agravamento do conflito ⁠no Oriente Médio aumentou a demanda por refúgios seguros e elevou drasticamente ‌os preços do petróleo, exacerbando as preocupações dos investidores com a inflação.

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Em discurso no Parlamento, Ueda disse que os acontecimentos no Oriente ‌Médio podem ter um enorme impacto na economia ‌global, incluindo a do Japão, por meio do aumento dos ⁠custos de energia e dos movimentos do mercado.

"O aumento dos preços do petróleo bruto pioraria os termos de troca do Japão e prejudicaria a economia, o que, por sua vez, poderia exercer pressão de baixa sobre a inflação subjacente", disse Ueda na quarta-feira.

No entanto, se o aumento ‌do preço do petróleo persistir, isso também pode elevar a inflação subjacente, aumentando ‌as expectativas de inflação ⁠de médio e ⁠longo prazo das famílias e empresas, acrescentou.

As falas destacam o desafio que o Banco ⁠do Japão enfrenta para definir ‌o momento da próxima alta ‌na taxa de juros, já que a incerteza sobre o conflito no Oriente Médio afeta as perspectivas para a economia.

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"Continuaremos a aumentar a taxa de juros se a economia e os preços evoluírem ⁠de acordo com nossas projeções trimestrais", disse Ueda quando questionado se as condições para outro aumento dos juros estavam se concretizando.

O banco central elevou a taxa de juros para 0,75% em dezembro, o maior nível em 30 anos, dando mais ‌um passo histórico para encerrar décadas de enorme apoio monetário, em um sinal de sua convicção de que o Japão está progredindo para ⁠atingir de forma duradoura a meta de inflação de 2%.

Autoridades do Banco do Japão sinalizaram que estão prontos para continuar aumentando os juros ainda baixos, embora tenham dado poucas indicações sobre quando o próximo aumento poderá ocorrer.

Fontes disseram à Reuters que a nova volatilidade do mercado provocada pelo conflito no Oriente Médio aumentou a chance de o banco central adiar o aumento dos juros em março.

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O Japão depende quase inteiramente das importações de combustível, o que torna sua economia vulnerável ao impacto do aumento dos custos do petróleo. Preços mais altos dos combustíveis aumentariam a pressão inflacionária causada pelo iene fraco, que eleva o custo das importações de matérias-primas.

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