Prejuízo dos Correios chega a R$ 3,16 bilhões no 1º tri, aumento de 83% sobre mesmo período de 2025

No ano passado, estatal tomou empréstimo de R$ 12 bi junto a um consórcio de bancos, com garantia da União, para tentar implementar plano de reestruturação e sair da crise

1 jun 2026 - 17h09
(atualizado às 18h12)

BRASÍLIA - Os Correios registraram prejuízo de R$ 3,158 bilhões no primeiro trimestre de 2026, um aumento de 83% - quase o dobro - em relação ao saldo negativo de R$ 1,725 bilhão registrado no mesmo período de 2025, informou a empresa.

Desde 2022 os Correios vem fechando os seus balanços no vermelho. Em 2025, prejuízo foi recorde, de R$ 8,5 bilhões, o que levou a companhia a buscar um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a um consórcio de bancos, com garantia da União, para tentar implementar um plano de reestruturação e sair da crise.

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Ainda assim, a estatal afirmou que o resultado ficou melhor do que o esperado inicialmente e já demonstra medidas implementadas no seu plano de contenção de custos.

Funcionários dos Correios, durante manifestação contra pacote de medidas e redução de salários dos trabalhadores
Funcionários dos Correios, durante manifestação contra pacote de medidas e redução de salários dos trabalhadores
Foto: Foto Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

"O resultado negativo, de R$ 3,1 bilhões, ficou abaixo da projeção originalmente prevista para o trimestre, evidenciando evolução nas ações voltadas à recuperação do equilíbrio econômico-financeiro da estatal".

Segundo os Correios, o objetivo do plano de recuperação é voltar ao azul apenas no final de 2027:

"O objetivo é assegurar que a empresa retome o equilíbrio econômico-financeiro e volte a apresentar resultado líquido positivo ao final de 2027, consolidando a transformação dos Correios em uma plataforma de serviços moderna, ágil e integrada à economia digital, a serviço da população brasileira", disse a companhia.

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Queda de receitas e aumento de despesas

Segundo balanço da companhia, no 1º trimestre, houve uma queda de 2,3% na receita líquida, que somou R$ 3,85 bilhões, mas um forte aumento nas despesas gerais e administrativas, que saltou de R$ 1,22 bi para R$ 2,26 bilhões - uma alta de 85%.

Esse aumento foi puxado por R$ 1,079 bilhão em provisão para contingências, principalmente as trabalhistas, após uma reavaliação em massa dos processos pela assessoria jurídica da empresa.

"O aumento deve-se a reavaliação dos processos judiciais decorrente daevolução de seus andamentos e da atualização dos entendimentos jurisprudenciais, bem como de ajustes na classificação dos riscos e da atualização das estimativas de desembolsos futuros. Esses fatores influenciam o valor provisionado e acomposição das contingências por natureza e nível risco dos processos", disse a estatal.

Os Correios vêm enfrentando processos movidos por funcionários, terceirizados ou sindicatos, na esfera da Justiça do Trabalho, e que pode envolver uma série de assuntos, como planos de carreiras, horas extras, indenizações por danos morais e materiais, demissão imotivada, entre outros, segundo a própria estatal.

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A empresa também teve forte aumento de despesas financeiras, de R$ 282 milhões para R$ 985 milhões na mesma comparação.

"Nos últimos exercícios, a empresa vem enfrentando pressões relevantes sobre sua geração de caixa e seus resultados, decorrentes, principalmente, da redução das receitas em serviços postais tradicionais, do aumento dos custos operacionais influenciados por inflação, reajustes salariais e passivos judiciais, bem como da intensificação da concorrência em segmentos logísticos de maior rentabilidade", afirmou a estatal.

O Plano de Desligamento Voluntário (PDV) implementado pela empresa teve adesão de 4.632 funcionários, abaixo da meta de 10 mil estipulada pela própria companhia. Desse total, 2.982 empregados já tiveram seus incentivos quitados, enquanto 1.650 ainda possuem valores a receber dos Correios.

Balanço aprovado com ressalvas

O balanço da empresa foi aprovado com ressalvas pela auditoria independente Consult Auditores. Segundo documento assinado pela consultoria, não é possível atestar a consistência da rubrica de provisões para os gastos com processos judiciais e precatórios, no valor de R$ 7,44 bilhões.

A consultoria diz que houve avanços nos procedimentos internos da estatal, para classificar esses riscos jurídicos, mas foram identificados pontos que ainda precisam de aprimoramentos nos critérios utilizados e controles internos, "o que pode impactar a consistência dos valores relacionados a processos judiciais e passivos contingentes".

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"Diante dessas circunstâncias, não foi possível concluir, mesmo com a aplicação de procedimentos alternativos de auditoria, sobre a adequação integral do saldo da provisão para contingências vinculadas aos processos, bem como os possíveis reflexos no resultado do período", diz a consultoria.

A consultoria aponta que os Correios já se comprometeram a contratar uma empresa especializada para implementar as melhorias necessárias.

Na última quarta-feira, 27, o Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu comunicar o governo federal sobre a possível violação de dispositivos da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) com a ausência de verificação "própria e independente" das premissas financeiras que embasaram o plano de reestruturação dos Correios.

O TCU afirmou que houve insuficiência da análise sobre a capacidade de pagamento da estatal para fins de concessão de garantia da União e operação de crédito no valor de R$ 12 bilhões — o que, segundo a Corte de Contas, "afronta" dispositivo que trata da capacidade de pagamento de empresas estatais.

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