Preço das passagens da Azul já aumentou 20% por causa da guerra no Oriente Médio

Nas últimas três semanas, empresa fez ao menos quatro reajustes

27 mar 2026 - 13h54

O preço das passagens aéreas vendidas pela companhia aérea Azul já aumentou pouco mais de 20% por causa da alta do petróleo decorrente da guerra no Oriente Médio. Nas últimas três semanas, a empresa reajustou seus preços ao menos quatro vezes, de acordo com o presidente da Azul, Abhi Shah.

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Segundo ele, a companhia precisará, neste ano, registrar um crescimento de cerca de 8% na receita unitária para conseguir compensar a alta do combustível. "Acreditamos que podemos alcançar isso entre o terceiro e o quarto trimestre", disse o executivo em conferência com analistas do mercado financeiro nesta sexta-feira, 27. "O aumento de mais de 20% nas tarifas já vendidas é um ótimo começo, e temos as ferramentas para chegar lá."

O presidente da companhia disse também que a demanda corporativa de curto prazo segue resiliente, mas que os clientes de lazer estão mais cautelosos. "Isso também é esperado. Quem pode planejar a viagem tende a aguardar."

O aumento de preço da Azul é, na prática, uma antecipação aos efeitos do aumento do petróleo, já que, segundo Shah, os reajustes no preço da querosene de aviação no Brasil ocorrem com uma defasagem média de cerca de 45 dias. Assim, uma alta no petróleo leva um mês e meio para ser refletido no combustível que as companhias compram. "O impacto é mais gradual, dando tempo para o setor se planejar." De acordo com ele, o combustível representa 35% das despesas da empresa hoje.

Diante desse cenário de alta do petróleo e do fato de ter deixado uma recuperação judicial para trás recentemente, a Azul planeja uma atuação prudente neste ano. A empresa deverá crescer apenas 1% em 2026.

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"Como mostrado no plano do Chapter 11 (recuperação judicial ocorrida nos EUA), desenhamos estrategicamente a nova Azul para crescer menos - cerca de 1% em 2026. Isso foi pensado exatamente para momentos como este. Crescimento elevado exige caixa, treinamento, contratação, entregas de aeronaves, peças, abertura de rotas, o que não é desejável em um ambiente de combustível caro", disse o executivo. "Além disso, menor crescimento acelera a recuperação de receita, pois não precisamos encher aviões a qualquer custo."

Também durante a conferência com analistas realizada após a companhia divulgar seus resultados de 2025, o CEO da Azul, John Rodgerson, frisou que companhias aéreas do mundo todo estão mais conservadoras em relação à oferta de voos.

"Veja o que a United Airlines está fazendo: reduzindo capacidade de forma generalizada, mesmo com a força do seu balanço. É isso que agentes racionais fazem em um ambiente como este", disse Rodgerson. O CEO da United, Scott Kirby, afirmou nesta semana que reduziu em 5% sua capacidade em rotas que não são lucrativas.

Resultado

A Azul registrou no ano passado um prejuízo líquido de R$ 4,28 bilhões, alta de 330% na comparação com o resultado de 2024. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês), porém, subiu 9,6% e atingiu R$ 6,64 bilhões.

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A receita líquida da empresa também cresceu e alcançou R$ 22 bilhões, uma expansão de 12%. O crescimento, segundo a Azul, reflete um "ambiente de demanda consistentemente forte e ajustes estratégicos de malha", entre outros fatores.

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