PF prende Vorcaro em operação para apurar crimes financeiros na venda do Master para o BRB

Corporação cumpre cinco mandados de prisão; defesa de dono do Master não se manifestou

18 nov 2025 - 07h26
(atualizado às 18h25)

BRASÍLIA - A Polícia Federal prendeu na noite de segunda-feira, 17, o dono do Master, Daniel Vorcaro, em uma operação para apurar suspeitas de crimes envolvendo a venda do banco para o BRB. O presidente do banco estatal do governo do Distrito Federal, Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo.

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O Banco Central também decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, menos de um dia depois de o Grupo Fictor ter indicado o interesse em comprar a instituição.

Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, foi preso ao tentar embarcar em um jatinho particular com destino ao exterior
Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, foi preso ao tentar embarcar em um jatinho particular com destino ao exterior
Foto: Divulgação/Banco Master / Estadão

Vorcaro foi detido ainda na noite de segunda-feira, 17. Isso porque a PF suspeita de que ele tentou fugir do País. O dono do Banco Master tentou embarcar em um jatinho particular com destino ao exterior. Porém, foi interceptado pela Polícia Federal no aeroporto, onde recebeu a ordem de prisão, por volta das 22h.

A PF já monitorava os passos de Vorcaro antes de deflagrar a operação. Os investigadores detectaram que ele organizava uma tentativa de fuga pelo Aeroporto de Guarulhos. A suspeita é de que a informação do mandado de prisão tenha vazado para o banqueiro. Procurada, a defesa do empresário ainda não se manifestou. Vorcaro foi levado para a Superintendência da PF em São Paulo.

A operação da PF na manhã desta terça cumpriu cinco mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 25 de busca e apreensão. Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, é outro preso na operação. Diretores do Master também foram alvos de mandados de prisão. A sede do BRB e o presidente do banco, Paulo Henrique Costa, são alvos de busca e apreensão.

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A operação foi batizada pela PF de Compliance Zero e detectou suspeitas da emissão de títulos de crédito falsos pelo banco Master. Esses títulos teriam sido vendidos ao BRB e, após a fiscalização do Banco Central, foram substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada.

Ao final da operação, a PF apreendeu R$ 1,6 milhão em dinheiro vivo, a maior parte com Augusto Lima, além de carros de luxo, obras de arte e relógios.

Na Operação Compliance Zero, a PF apreendeu R$ 1,6 milhão em dinheiro vivo
Foto: Polícia Federal/Divulgação / Estadão

Além de Vorcaro e Lima, foram presos preventivamente Luiz Antonio Bull, Alberto Feliz de Oliveira e Angelo Antonio Ribeiro, diretores do Master também suspeitos de assinar operações fraudulentas e fornecer informações falsas ao BC.

São investigados crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa, entre outros.

Em setembro, o Banco Central (BC) reprovou a compra de uma fatia do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). O BC passou cinco meses analisando o processo. Segundo apurou o Estadão, um ponto central da decisão foi o risco de o BRB ser contaminado pelos ativos do Master considerados "podres".

Desde o anúncio, a operação financeira foi vista por especialistas como uma forma de socorro do Master por parte do BRB, um banco público.

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BC liquidou Master após anúncio de venda

A decisão do Banco Central anunciada na manhã desta terça-feira, 18, de liquidar extrajudicialmente o Banco Master foi tomada após o anúncio de uma operação de venda da instituição para o Grupo Fictor no fim da tarde de segunda-feira, 17, conforme apurou o Estadão/Broadcast.

A medida pôs fim na possibilidade de o acordo que estava sendo costurado no setor privado avançar.

Conforme pessoas a par do caso, Vorcaro estaria preocupado com seu futuro e teria tentado costurar a operação para ter a narrativa de que estava tentando resolver o problema que envolve seu banco.

O acordo anunciado na segunda-feira, que pegou diferentes agentes do governo de surpresa, teria de passar pelo crivo do BC e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Por isso, a análise feita ao Estadão/Broadcast em relação ao anúncio era de que a proposta de compra do Master pelo Fictor deveria ser colocada na categoria das "intenções".

A decisão de liquidar a instituição foi tomada pela diretoria colegiada do BC, formada pelo presidente da instituição, Gabriel Galípolo, e mais oito diretores.

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Os votos são dados de maneira secreta para evitar vazamentos entre a decisão do comitê, e a ação que deve ser tomada na sequência, num caso positivo de decisão pela continuidade dos atos. Pelo regimento da autoridade monetária, coube ao diretor de Fiscalização, Ailton Aquino, propor a liquidação.

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