Em meio ao número recorde de lançamentos, duas empresas de segmentos distintos se destacaram em 2025 e integram o ranking do Top Imobiliário: One Innovation e Econ. As duas marcas figuram entre as dez empresas com volumes expressivos de lançamentos de imóveis residenciais novos na Região Metropolitana de São Paulo em 2025, ano em que foram colocadas no mercado 139,7 mil unidades, volume 34% superior ao total apurado em 2024, segundo dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). Elas estão presentes nos rankings de Incorporadora, Construtora e Vendedora.
Especializada em imóveis voltados aos segmentos de médio e alto padrão na cidade de São Paulo, a One Innovation totalizou 5.118 unidades lançadas e VGV de R$ 2,3 bilhões em 2025. Para este ano, a companhia prevê o lançamento de 12 empreendimentos. O número iguala o patamar registrado em 2025 e supera os sete projetos de 2024.
Vice-presidente da One, Paulo Petrin diz que a estratégia adotada no início deste ano permitiu atingir um marco importante em sua operação. "Concentramos nossos esforços comerciais na redução dos estoques e alcançamos o menor nível histórico de unidades prontas e em obras da companhia. Hoje, esses imóveis representam cerca de 6% do estoque total, um resultado que nos dá mais eficiência e previsibilidade para sustentar o crescimento planejado para os próximos meses", ressalta.
O executivo lembra que a suspensão temporária da emissão de alvarás para alguns empreendimentos afetou o calendário de lançamentos da empresa. Segundo ele, o primeiro projeto deste ano foi lançado somente em maio. "Com as metas operacionais do primeiro trimestre integralmente cumpridas, retomamos gradualmente nosso pipeline de lançamento."
A retomada começou com o Nex One Bela Cintra, construído em uma das regiões mais valorizadas da capital paulista. Ainda em junho, estão previstos os lançamentos do Nex One Caiubi, em Perdizes, e do Nex One Capote Valente, em Pinheiros, reforçando a estratégia de atuar em bairros com ampla oferta de serviços e mobilidade urbana.
Na avaliação do executivo, o setor enfrenta os impactos de um cenário de juros elevados e crédito mais restrito. Os efeitos, segundo ele, são mais sentidos nos segmentos de média e alta rendas, enquanto o mercado econômico tem apresentado maior adaptação, graças às linhas de financiamento mais competitivas e aos programas habitacionais subsidiados.
Para Petrin, o segmento econômico tem mostrado maior resiliência neste ciclo, principalmente por contar com mecanismos que preservam a capacidade de compra das famílias. Diante desse contexto, o vice-presidente diz que a companhia tem reforçado duas estratégias principais.
"A primeira é desenvolver produtos com preços mais acessíveis, especialmente unidades compactas localizadas em bairros consolidados, com forte oferta de infraestrutura, transporte e serviços. A segunda é o aumento gradual da exposição ao segmento de baixa renda, que apresenta fundamentos de demanda mais sólidos e maior previsibilidade operacional no atual ciclo."
Quem também surfa o bom momento dessa fatia de mercado é a Econ Incorporadora, que atua exclusivamente no segmento econômico e projeta manter a curva de expansão em 2026. Prevê encerrar o ano corrente com 20 lançamentos, dos quais sete já foram realizados. Em 2025, a incorporadora lançou 12 empreendimentos, com 4.353 unidades e VGV de R$ 1,7 bilhão.
Gil Vasconcelos, diretora de Incorporação da empresa, comemora o bom desempenho do segmento popular, que "segue muito aquecido" porque está apoiado nas condições do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. "Mesmo diante do cenário macroeconômico desafiador, observamos uma procura consistente pelos nossos produtos", afirma.
A diretora da Econ acredita que o segmento econômico tende a manter a trajetória de expansão registrada.
"O volume de unidades populares continua crescendo. Os maiores gargalos atualmente estão concentrados nos empreendimentos destinados à média renda, mais sensível ao impacto dos juros elevados sobre o crédito imobiliário. Especialmente porque, além de não haver expectativa de queda relevante dos juros no curto prazo, temos um ambiente de maior cautela por conta do calendário eleitoral", avalia.
A diretora ressalta a importância de desenhar produtos alinhados às necessidades das famílias. Como exemplo de sucesso da companhia, ela cita o Lumi Vila Matilde, que já comercializou cerca de 75% das 362 unidades.
"O projeto combina unidades econômicas de 38 m² com opções maiores de 56 m² e 80 m², ampliando o público potencial e fortalecendo a atratividade comercial do empreendimento", conclui.
Construtoras enfrentam falta de mão de obra
O VP da One, Paulo Petrin, e Gil Vasconcelos, diretora da Econ, apontam desafios comuns, como a escassez de mão de obra qualificada e a alta nos custos de materiais, acima dos índices de inflação do setor.
"São fatores que exigem das incorporadoras um trabalho constante de eficiência e controle orçamentário", diz Gil.
"Existe hoje uma dificuldade crescente para atrair profissionais para os canteiros de obras, ao mesmo tempo que os custos dos materiais permanecem elevados, o que demanda para as construtoras um esforço permanente de produtividade, inovação e controle orçamentário. Mesmo assim, temos conseguido manter nossos mais de 35 canteiros ativos dentro dos cronogramas previstos, sem atrasos relevantes", observa Petrin.
O mercado imobiliário deve entrar em uma fase de crescimento mais moderado após os recordes de lançamentos, diz Petrin. "O cenário atual combina juros elevados, restrições de crédito, aumento de custos e incertezas regulatórias, fatores que tendem a exigir maior seletividade por parte das incorporadoras", diz.
Segundo ele, a empresa segue acompanhando de perto seus indicadores para calibrar o ritmo de lançamentos.