A Oncoclínicas informou nesta quarta-feira, 8, que segue em negociação com credores e que avalia o protocolo de um plano de recuperação extrajudicial, mas garantiu que ainda não há uma data definida para isso.
O esclarecimento foi feito em resposta a questionamentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) após circular, na coluna do colunista Lauro Jardim, do O Globo, e também no jornal Valor Econômico, que a companhia poderia protocolar o pedido até a sexta-feira, 10.
Segundo a administração, as tratativas fazem parte da busca por "encontrar a melhor solução para sua atual situação financeira".
A empresa afirmou que existem discussões em andamento para o eventual protocolo do plano, mas ressaltou que "ainda não há, no entanto, uma data definida para a realização do protocolo".
Em 17 de abril, a empresa divulgou ter obtido da Justiça de São Paulo uma liminar, determinando a suspensão dos efeitos de cláusulas contratuais que imponham vencimento antecipado de dívidas indicadas pela companhia.
Em comunicado à CVM naquela data, a Oncoclínicas afirmou que a medida judicial provisória também suspendia a exigibilidade de obrigações relacionadas a instrumentos financeiros e a instituições mencionadas na ação.
A finalidade era "proporcionar um ambiente administrativo e financeiro mais organizado e estável para a companhia, permitindo que ela conduza a mediação e negociação com seus credores sem interrupção de suas atividades ou alteração na condução ordinária de seus negócios, apesar do atual cenário macroeconômico e setorial desafiador".
Na mesma semana, o conselho de administração da companhia aprovou uma proposta de operação de crédito apresentada pela Mak Capital e Lumina, com a previsão de uma operação financiada pela Lumina, no valor entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões, a depender do volume de garantias disponíveis.
O objetivo era viabilizar a compra de medicamentos pela Oncoclínicas junto à OncoProd, preservando a geração de receitas das duas empresas e a continuidade da cadeia de fornecimento.
Naquele mês, Porto e Fleury se retiraram das negociações que visavam a um possível investimento para reestruturar a companhia diante de sua frágil situação financeira, associada à dificuldade que a empresa tem encontrado para renegociar sua dívida. A rede de clínicas de oncologia tem um passivo de R$ 3,1 bilhões e alavancagem de 4,3 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda (Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês).