A Natura teve prejuízo líquido de R$445 milhões no primeiro trimestre, acima do resultado negativo de R$152 milhões sofrido no mesmo período do ano passado, segundo balanço divulgado nesta segunda-feira.
A fabricante de cosméticos apurou resultado operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) recorrente de R$346 milhões, queda de 55,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
A receita líquida somou R$4,75 bilhões de janeiro ao final de março, recuo de 7,7% na base anual.
Analistas, em média, esperavam Ebitda de R$430 milhões para a Natura no primeiro trimestre, com receita líquida de R$4,3 bilhões, segundo dados da LSEG.
As ações da Natura encerraram o dia em queda de 1,8%, cotadas a R$10,50, enquanto o Ibovespa fechou em baixa de 1,2%.
A Natura afirmou no balanço que houve no trimestre "pressão temporária sobre a rentabilidade em meio a mudanças do modelo operacional e receita reduzida".
A companhia ainda citou que desempenho fraco das marcas Natura e Avon no Brasil, embora o relançamento da Avon tenha iniciado em meados de março. Enquanto isso, na América Latina, excluindo Argentina e Brasil, o "crescimento segue ofuscado pela retomada lenta".
No Brasil, a receita do trimestre caiu 5,5% sobre um ano antes e na região "hispana" houve recuou de 1,1%, com quedas de margens em ambas as regiões.
"O sell-in da Natura (venda a varejistas) ficou ligeiramente abaixo das expectativas, ainda pressionado pela desaceleração do consumo no Nordeste", afirmou a Natura no balanço, citando "redução no número e na atividade de consultoras menos produtivas".
Já na venda aos consumidores (sell-out), a marca Natura "retomou ganhos de participação de mercado e o canal registrou crescimento sequencial no final do trimestre", afirmou a empresa, citando que isso pode indicar "uma melhora nas tendências de sell-in em algum momento".
A Natura afirma que tem maior exposição ao Nordeste, região onde a penetração de mercado da venda direta também é maior, mas afirmou que apesar das pressões "já surgem sinais iniciais promissores de ambas as marcas", com métricas melhorando para Avon e vendas de novos produtos acima das expectativas.