Ministros de Lula discutem tarifas com representante de Trump e aguardam proposta de acordo dos EUA

Titulares do Itamaraty e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio mantêm nova conversa com representante comercial dos Estados Unidos

30 set 2026 - 11h56
(atualizado às 13h51)
Resumo
Ministros brasileiros reuniram-se nos EUA com o representante Jamieson Greer para negociar o fim do tarifaço de até 37,5% sobre produtos do Brasil. Ficou acordada a criação de um grupo de trabalho bilateral, e Washington deve enviar uma nova proposta de acordo comercial nas próximas semanas. O diálogo atende a um pedido de Lula aceito por Donald Trump, enquanto o governo brasileiro também contesta as sobretaxas perante a OMC após ter rejeitado exigências anteriores dos norte-americanos.

BRASÍLIA - Os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) se reuniram nesta quarta-feira, dia 30, com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, em Milwaukee, no Wisconsin.

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Segundo o governo brasileiro, os EUA ficaram de enviar uma proposta de negociação comercial nas próximas semanas, que abrangeria tarifas e parcerias mais amplas, a fim de atingir um acordo.

"O governo norte-americano deverá encaminhar, nas próximas semanas, um documento com uma proposta para o escopo dos trabalhos, contemplando questões tarifárias e não tarifárias. Também foi acordada a criação de um Grupo de Trabalho para discutir temas relacionados a um possível acordo", informaram o Itamaraty e o Mdic, em nota.

Jamieson Greer, Márcio Elias Rosa e Mauro Vieira conversam sobre pauta comercial e tarifas entre Brasil e EUA, em Milwaukee
Jamieson Greer, Márcio Elias Rosa e Mauro Vieira conversam sobre pauta comercial e tarifas entre Brasil e EUA, em Milwaukee
Foto: Divulgação/MDIC / Estadão

Como o Estadão revelou com exclusividade, o USTR enviou em outubro do ano passado a primeira proposta do tipo, com 21 demandas, entre elas vantagens na venda de minerais críticos, compromisso de compra de aviões Boeing e até exigências políticas, como a participação de "dissidentes" nas eleições presidenciais de 2026. O governo Lula rejeitou.

Os três discutiram o comércio entre os países e um possível entendimento sobre o tarifaço aplicado em julho pelos EUA à pauta de exportações do Brasil, de até 37,5%.

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A reunião durou cerca de 40 minutos, sendo 30 minutos com assessores na sala e outros 10 minutos apenas entre os três. O encontro ocorreu no The Pfister Hotel, no centro de Milwaukee, sede da reunião do G-20.

"Durante a reunião, os ministros brasileiros reafirmaram a disposição do Brasil de avançar, por meio do diálogo e da negociação, na construção de soluções para os temas que afetam o comércio bilateral, sempre tendo como referência a defesa dos interesses brasileiros e a ampliação das oportunidades para empresas e setores produtivos dos dois países", afirmou o governo Lula.

"A reunião transcorreu de forma construtiva, com discussão dos principais temas da agenda comercial bilateral. Brasil e Estados Unidos reconheceram a importância de avançar na superação dos obstáculos existentes e manifestaram disposição de trabalhar de forma célere na busca de um entendimento mutuamente satisfatório."

A rodada de negociação havia sido agendada durante videoconferência entre os três, com o objetivo de coincidir com a viagem dos ministros de Lula aos EUA, por ocasião da reunião ministerial de Comércio do G-20.

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A retomada de negociações atende a um pedido de Lula, aceito por Donald Trump, no fim de agosto. É a segunda conversa em nível político entre os ministros, após o telefonema dos presidentes. Antes, houve também contatos de nível técnico, entre diplomatas e servidores de comércio.

Na última sexta-feira, dia 25, diplomatas e negociadores comerciais dos dois países discutiram as tarifas perante a Organização Mundial do Comércio (OMC).

O mecanismo de consultas na OMC é outra frente de tratativas, voltada a discutir as sobretaxas de 25% e 12,5% impostas após investigações com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

O Brasil apresentou cerca de 50 questionamentos ao novo tarifaço e cobrou que os americanos respondessem quais práticas do País violavam regras de comércio internacional estabelecidas na OMC, o que não ocorreu.

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Para diplomatas, os representantes do USTR indicaram que as tarifas devem ser discutidas fora do órgão multilateral sediado em Genebra, na Suíça.

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