A reforma tributária trouxe novos elementos para a gestão de negócios digitais e ampliou o debate entre infoprodutores que atuam com cursos, mentorias e produtos educacionais online. Em uma live recente promovida pela TMB, fintech especializada em soluções financeiras para o setor de educação digital, criadores de conteúdo, afiliados, contadores e especialistas discutiram, de forma prática, como as mudanças impactam a operação e o planejamento das vendas.
Ao longo da transmissão, surgiram questionamentos recorrentes sobre formação de preços, emissão de notas fiscais, atuação de afiliados, coproduções e a organização financeira necessária para sustentar o crescimento do negócio. O encontro revelou um movimento do mercado em busca de entendimento e profissionalização.
O debate ocorre em um momento em que o setor de educação digital segue em expansão no Brasil. Dados da Associação Brasileira de Startups (Abstartups) e de entidades do comércio eletrônico indicam que cursos livres, mentorias e treinamentos profissionais movimentam bilhões de reais por ano, atraindo desde pequenos criadores até operações mais estruturadas.
Para Reinaldo Boesso, CEO da TMB e especialista em finanças corporativas, a reforma tributária deve ser tratada como um tema de gestão e estratégia. “ As pessoas querem entender como precificar melhor, como organizar a operação e como evitar erros que prejudiquem o negócio no futuro”, afirmou.
A substituição gradual de tributos como PIS, Cofins, ISS e ICMS pelo modelo de IVA Dual, com a criação da CBS e do IBS, tende a mudar a lógica de cálculo de custos e margens, especialmente em serviços digitais. Estudos do próprio governo indicam que a alíquota padrão do IVA pode se aproximar de 25%, o que reforça a importância de planejamento e controle financeiro.
Na prática, a discussão se desloca para o entendimento do caixa real do negócio. “A reforma traz mais visibilidade para algo que já era essencial, saber quanto sobra depois de impostos, taxas de plataforma e meios de pagamento. Quem entende isso toma decisões melhores”, explicou Boesso durante a live.
As dúvidas levantadas também envolveram modelos de venda cada vez mais comuns no mercado digital, como afiliados, coprodutores e plataformas que operam com divisão automática de receitas.
A necessidade de rastreabilidade e contratos claros apareceu como um ponto de atenção, não como obstáculo, mas como parte do amadurecimento do setor. “O novo sistema exige mais organização. Para quem encara o infoproduto como negócio, isso é positivo, porque traz mais previsibilidade e menos improviso”, avaliou um dos especialistas que acompanhou a transmissão.
O tema do split payment, previsto na reforma para recolhimento automático de tributos, também foi abordado como um ponto em construção, com implementação gradual e ainda dependente de regulamentação.
Segundo Boesso, a live cumpriu o papel de traduzir um tema complexo para a realidade do dia a dia do empreendedor digital. “Não se trata de defender ou atacar a reforma, mas de ajudar o infoprodutor a entender o que muda e como se organizar melhor. Quanto mais clareza, mais saudável fica o mercado”, afirmou.
O consenso entre os participantes foi de que a reforma não altera o potencial do mercado de educação digital, mas reforça a necessidade de gestão, planejamento e visão empresarial. Em um setor que cresceu rapidamente nos últimos anos, o debate sobre tributação passa a integrar a agenda de negócios, ao lado de marketing, vendas e experiência do aluno.
Passo a passo para o infoprodutor se organizar diante das mudanças
Com base nas dúvidas práticas levantadas durante a live, especialistas indicam cinco ações iniciais para quem vende cursos, mentorias ou produtos digitais:
Definir claramente o modelo de atuação
Entender se atua como produtor, afiliado, coprodutor ou prestador de serviço é o primeiro passo para organizar contratos, notas fiscais e repasses.
Tratar a tributação como parte da estratégia de negócio
Mais do que cumprir obrigações, é fundamental entender como os impostos impactam preço, margem e posicionamento do produto.
Alinhar contabilidade e planejamento financeiro
A contabilidade define o enquadramento, enquanto a análise financeira mostra o impacto real no caixa. As duas visões precisam caminhar juntas.
Revisar processos de emissão de notas e contratos
Separar corretamente produtos, serviços e comissões reduz riscos e traz mais clareza para a operação.
Planejar crescimento com previsibilidade financeira
Estruturar fluxo de caixa, meios de pagamento e capital de giro ajuda o infoprodutor a escalar com mais segurança.