Mercado volta a aumentar previsão de inflação e espera juro mais alto em 2027

Mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 aumentou pela nona semana consecutiva, de 4,89% para 4,91%; projeção para a Selic no fim do próximo ano subiu de 11,00% para 11,25%

11 mai 2026 - 09h57

BRASÍLIA - A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 aumentou pela nona semana consecutiva, de 4,89% para 4,91%, distanciando-se ainda mais do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,50%. O movimento reflete a escalada das incertezas com a guerra no Oriente Médio, que provocou uma disparada nos preços do petróleo.

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Considerando apenas as 58 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana subiu de 4,91% para 4,95%.

A estimativa intermediária do mercado para o IPCA de 2027 seguiu em 4,00% pela segunda semana consecutiva. Há um mês, era de 3,91%. Considerando apenas as 57 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, caiu de 4,00% para 3,90%.

A mediana para o IPCA de 2028 seguiu em 3,64%. Um mês antes, era de 3,60%. A estimativa intermediária para a inflação de 2029 permaneceu em 3,50% pela 36.ª semana consecutiva.

Crescimento do PIB esperado pelo mercado, de 1,85%, é maior do que o previsto pelo Banco Central, de 1,6%
Crescimento do PIB esperado pelo mercado, de 1,85%, é maior do que o previsto pelo Banco Central, de 1,6%
Foto: André Dusek/Estadão / Estadão

A trajetória prevista pelo mercado segue acima da esperada pelo Banco Central, mesmo depois da revisão das estimativas do Comitê de Política Monetária (Copom) na reunião de abril.

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Na ocasião, o colegiado subiu a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026, de 3,9% para 4,6%, e para o IPCA de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, de 3,3% para 3,5%.

"As expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e obtidas de diferentes grupos de agentes, que seguiam em trajetória de declínio, subiram após o início dos conflitos no Oriente Médio, permanecendo acima da meta de inflação em todos os horizontes. Desde a reunião anterior ficou evidente uma desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028", avaliou o Comitê, em sua última ata.

Desde 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.

Selic

A mediana para a taxa Selic no fim de 2026 permaneceu em 13,00% pela terceira leitura consecutiva. Há um mês, a estimativa intermediária do mercado era que os juros fechariam o ano em 12,50%. A mediana vem sendo calibrada em meio à pressão inflacionária causada pela disparada dos preços do petróleo.

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Considerando só as 82 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para a Selic no fim de 2026 aumentou de 13,00% para 13,25%.

A mediana do Focus para a taxa Selic no fim de 2027 subiu de 11,00% para 11,25%. Há um mês, era de 10,50%. Considerando apenas as 80 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana aumentou de 11,00% para 11,25%.

A projeção para a Selic no fim de 2028 permaneceu em 10,00% pela 16.ª leitura seguida. A estimativa para 2029 seguiu em 10,00% pela primeira leitura consecutiva. Um mês antes, era de 9,75%.

Na ata de sua última reunião, o Copom reafirmou serenidade e cautela na condução da política monetária. Também enfatizou que os passos futuros do processo de calibração da Selic poderão incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo.

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PIB

A mediana do relatório Focus para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 seguiu em 1,85% pela segunda semana seguida. Um mês antes, era de 1,85%. Considerando apenas as 43 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa aumentou de 1,85% para 1,90%.

O crescimento esperado pelo mercado é maior do que o previsto pelo Banco Central, de 1,6%, segundo o Relatório de Política Monetária (RPM) do primeiro trimestre. O Ministério da Fazenda espera alta de 2,33% para o PIB.

A mediana do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2027 oscilou de 1,75% para 1,76%. Levando em conta apenas as 42 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa intermediária subiu de 1,70% para 1,73%.

As medianas para o crescimento do PIB de 2028 e 2029 permaneceram em 2,00%, pela 113.ª e 60.ª semana seguidas, respectivamente.

Dólar

A mediana do relatório Focus para a cotação do dólar no fim de 2026 caiu de R$ 5,25 para R$ 5,20. Um mês antes, a mediana para o dólar no fim de 2026 era de R$ 5,37. Considerando apenas as 48 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa intermediária passou de R$ 5,24 para R$ 5,19.

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A mediana para o dólar no fim de 2027 continuou em R$ 5,30. Um mês antes, era de R$ 5,40. A estimativa intermediária para o fim de 2028 caiu de R$ 5,39 para R$ 5,35. Há quatro semanas, era de R$ 5,46.

Para 2029, a projeção permaneceu em R$ 5,40. Há um mês, era de R$ 5,50.

A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.

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