Mercado Pago segue otimista com cartões de crédito no Brasil

1 set 2026 - 16h07
(atualizado às 17h09)
Resumo
O Mercado Pago mantém o otimismo na expansão de seus cartões de crédito no Brasil, mesmo com o alerta do Banco Central sobre o endividamento das famílias. Apesar da alta nas provisões e na inadimplência, a fintech sustenta que sua carteira é saudável, apoiada em modelos robustos de inteligência artificial e dados do Mercado Livre. A empresa afirma monitorar métricas para calibrar o ritmo de crescimento e garante total alinhamento às futuras exigências e regulações do Banco Central.

O Mercado Pago, fintech do ‌Mercado Livre, continua otimista em relação à expansão de seus negócios de cartão de crédito no Brasil, apesar da crescente preocupação do Banco Central com o aumento do endividamento das famílias brasileiras.

Em entrevista à Reuters à margem de um evento da Zetta, associação do setor financeiro, o vice-presidente do Mercado Pago, ⁠Ignacio Estivariz, disse que os modelos de análise de crédito da empresa continuam ‌robustos e que sua carteira de empréstimos está saudável.

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"A gente não tem problema em desacelerar no momento certo", disse Estivariz. "A gente está constantemente olhando ‌a saúde de nosso portfólio, olhando as métricas ‌de nosso portfólio de cartão de crédito, então vamos determinando a velocidade ⁠de crescimento muito de acordo com isso."

O BC está focado no rápido aumento do endividamento das famílias, especialmente nos saldos de cartões de crédito e nos empréstimos ao consumidor sem garantia, segmentos nos quais o Mercado Pago vem se expandindo velozmente.

O Mercado Pago emitiu 2,6 milhões de cartões de crédito no ‌segundo trimestre, ante 1,6 milhão no mesmo período do ano anterior. As taxas ‌de inadimplência entre 15 ⁠e 90 dias ficaram ⁠em 4,6% para sua carteira de cartões e em 7,0% em toda a carteira ⁠de empréstimos, enquanto os financiamentos com atraso ‌superior a 90 dias ‌subiram para 18,7%.

A empresa também enfrenta custos de financiamento crescentes e provisões para perdas de crédito mais elevadas. A Mercado Livre informou que as provisões para inadimplência aumentaram quase 85% no segundo trimestre em relação ao ⁠mesmo período do ano anterior, contribuindo para uma queda no lucro líquido, apesar do crescimento recorde da receita.

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Ainda assim, Estivariz descartou preocupações sobre a qualidade dos ativos.

"Temos um portfólio muito saudável", disse ele, acrescentando que os modelos de crédito do Mercado Pago dão à ‌empresa confiança para continuar crescendo.

"A gente realmente tem, sem dúvida, um sistema muito robusto para avaliar para quem damos crédito e para quem não", disse ⁠Estivariz. O executivo citou o uso de inteligência artificial e milhares de pontos de dados de clientes, incluindo informações da plataforma de comércio eletrônico do Mercado Livre.

Estivariz acrescentou que o Mercado Pago mantém um diálogo regular com os órgãos reguladores e cumprirá quaisquer medidas que venham a ser adotadas pelo Banco Central.

O diretor de supervisão do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou nesta terça-feira que uma "medida relevante" para conter o endividamento em segmentos de crédito de custo mais elevado será divulgada em breve.

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Em julho, a inadimplência no segmento de recursos livres subiu a 6,4% no Brasil e atingiu o maior nível da série histórica iniciada em março de 2011, com endividamento das famílias e comprometimento de renda também em patamares elevados.

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