O Mercado Pago mantém o otimismo na expansão de seus cartões de crédito no Brasil, mesmo com o alerta do Banco Central sobre o endividamento das famílias. Apesar da alta nas provisões e na inadimplência, a fintech sustenta que sua carteira é saudável, apoiada em modelos robustos de inteligência artificial e dados do Mercado Livre. A empresa afirma monitorar métricas para calibrar o ritmo de crescimento e garante total alinhamento às futuras exigências e regulações do Banco Central.
O Mercado Pago, fintech do Mercado Livre, continua otimista em relação à expansão de seus negócios de cartão de crédito no Brasil, apesar da crescente preocupação do Banco Central com o aumento do endividamento das famílias brasileiras.
Em entrevista à Reuters à margem de um evento da Zetta, associação do setor financeiro, o vice-presidente do Mercado Pago, Ignacio Estivariz, disse que os modelos de análise de crédito da empresa continuam robustos e que sua carteira de empréstimos está saudável.
"A gente não tem problema em desacelerar no momento certo", disse Estivariz. "A gente está constantemente olhando a saúde de nosso portfólio, olhando as métricas de nosso portfólio de cartão de crédito, então vamos determinando a velocidade de crescimento muito de acordo com isso."
O BC está focado no rápido aumento do endividamento das famílias, especialmente nos saldos de cartões de crédito e nos empréstimos ao consumidor sem garantia, segmentos nos quais o Mercado Pago vem se expandindo velozmente.
O Mercado Pago emitiu 2,6 milhões de cartões de crédito no segundo trimestre, ante 1,6 milhão no mesmo período do ano anterior. As taxas de inadimplência entre 15 e 90 dias ficaram em 4,6% para sua carteira de cartões e em 7,0% em toda a carteira de empréstimos, enquanto os financiamentos com atraso superior a 90 dias subiram para 18,7%.
A empresa também enfrenta custos de financiamento crescentes e provisões para perdas de crédito mais elevadas. A Mercado Livre informou que as provisões para inadimplência aumentaram quase 85% no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, contribuindo para uma queda no lucro líquido, apesar do crescimento recorde da receita.
Ainda assim, Estivariz descartou preocupações sobre a qualidade dos ativos.
"Temos um portfólio muito saudável", disse ele, acrescentando que os modelos de crédito do Mercado Pago dão à empresa confiança para continuar crescendo.
"A gente realmente tem, sem dúvida, um sistema muito robusto para avaliar para quem damos crédito e para quem não", disse Estivariz. O executivo citou o uso de inteligência artificial e milhares de pontos de dados de clientes, incluindo informações da plataforma de comércio eletrônico do Mercado Livre.
Estivariz acrescentou que o Mercado Pago mantém um diálogo regular com os órgãos reguladores e cumprirá quaisquer medidas que venham a ser adotadas pelo Banco Central.
O diretor de supervisão do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou nesta terça-feira que uma "medida relevante" para conter o endividamento em segmentos de crédito de custo mais elevado será divulgada em breve.
Em julho, a inadimplência no segmento de recursos livres subiu a 6,4% no Brasil e atingiu o maior nível da série histórica iniciada em março de 2011, com endividamento das famílias e comprometimento de renda também em patamares elevados.