A Chevron planeja expandir suas operações na Venezuela após Donald Trump anunciar um acordo para desenvolver o setor petrolífero local, garantindo ao Pentágono 35% de participação nos lucros. A iniciativa inclui parceria com a NABEP para explorar 17 campos por 100 anos, visando reduzir a dependência do Oriente Médio após a prisão de Nicolás Maduro. Apesar do apoio dos EUA para atrair investimentos e manter a estabilidade na transição, analistas veem o pacto com ceticismo por riscos legais.
A gigante petrolífera Chevron planeja expandir suas operações na Venezuela, disse um funcionário americano nesta terça-feira, 1º, poucos dias depois de o presidente Donald Trump anunciar um ambicioso acordo para desenvolver as reservas de petróleo do país e dar ao Pentágono uma participação nos lucros.
A fonte oficial, que informou os jornalistas sobre o anúncio esperado, disse que representantes da empresa e o Secretário de Energia, Chris Wright, devem visitar a Venezuela na quarta-feira, 2, onde o novo investimento será formalmente apresentado. A fonte falou sob condição de anonimato, conforme as regras estabelecidas pela Casa Branca.
A Chevron é a segunda maior empresa petrolífera dos EUA e a única com presença significativa na Venezuela. A Chevron não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Associated Press.
O anúncio surge depois de a Casa Branca ter confirmado na segunda-feira, 31, a sua parceria com a North American Blue Energy Partners (NABEP), no âmbito da iniciativa do presidente Donald Trump para explorar a indústria petrolífera da Venezuela.
A NABEP é uma entidade privada com sede em Barbados e que tem seu principal escritório regional e operações em Caracas, Venezuela.
O amplo acordo foi recebido com ceticismo por analistas, que afirmam que levará anos para reativar a produção venezuelana. Eles questionam se a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, tem autoridade legal para conceder à empresa direitos de exploração por 100 anos sobre 17 campos de petróleo com reservas de 65 bilhões de barris — e se futuras administrações venezuelanas ou americanas revogariam o acordo.
Com isso, o governo Trump quer que as eleições aconteçam o mais rápido possível, mas pretende manter a estabilidade enquanto ajuda a Venezuela na transição após décadas de regime autocrático, disse o funcionário.
A NABEP, de propriedade do empresário venezuelano Alejandro Betancourt, já é a segunda maior operadora na Venezuela. O acordo com o governo dos EUA criaria uma nova empresa, na qual o Pentágono deteria uma participação de 35% e o Departamento de Estado teria o direito de comprar 20% do petróleo produzido a preço de custo.
Segundo diversos relatos da imprensa, o governo dos EUA tentou defender sua decisão de firmar parceria com Betancourt, que enfrenta investigações criminais por suposta lavagem de dinheiro na Espanha e na Suíça. Nenhuma acusação formal chegou a ser apresentada.
O funcionário afirmou que Betancourt foi investigado e que o governo constatou que "nenhuma lei americana foi violada". Ao mesmo tempo, o oficial descreveu Betancourt como o único parceiro viável disponível para o trabalho, dizendo que "você tem que trabalhar com os fatores que tem em mãos". O governo dos EUA não está investindo dinheiro na nova empresa, disse o funcionário aos repórteres, mas seu apoio ajudará a empresa a atrair investimentos para aumentar a produção.
Analistas afirmam que o acordo certamente enfrentará contestações judiciais e possíveis questionamentos sobre sua legitimidade. O governo Trump negociou o acordo com Rodríguez, que assumiu o poder após a operação militar de janeiro que resultou na captura do ex-ditador Nicolás Maduro e sua extradição para os Estados Unidos, onde enfrentará acusações federais de narcoterrorismo e tráfico de drogas.
O funcionário argumentou que manter a estabilidade durante essas transições "quase invariavelmente exige que você trabalhe com elementos da estrutura existente, mesmo enquanto cria uma nova".
O papel do Pentágono no acordo se dá por meio de seu Escritório de Capital Estratégico, criado durante o governo do ex-presidente Joe Biden para investir em tecnologia necessária à segurança nacional.
Um segundo funcionário americano, falando sob condição de anonimato, descreveu o acordo com a Venezuela como "um acordo muito padrão" e disse que o escritório fez vários acordos semelhantes desde que Trump voltou ao cargo.
Trump está de olho no petróleo da Venezuela desde a prisão de Maduro, e seus assessores consideram isso um caminho para reduzir a dependência do petróleo do Oriente Médio. Trump tem pressionado para que empresas americanas retomem sua presença no país.
O presidente Hugo Chávez concluiu a nacionalização da indústria petrolífera venezuelana em 2007, levando grandes empresas como ExxonMobil e ConocoPhillips a deixarem Caracas. / COM INFORMAÇÕES DE AP E AFP