O Ibovespa subiu 1,3%, aos 179.722 pontos, impulsionado pela alta da Petrobras diante do avanço do petróleo internacional. O mercado repercutiu o crescimento de 0,5% do PIB no segundo trimestre, que confirmou a desaceleração econômica e reforçou as expectativas de cortes na Selic. Na máxima do pregão, o índice chegou a superar os 181 mil pontos pela primeira vez em quase quatro meses, operando na contramão de Wall Street.
O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira, ultrapassando os 181 mil pontos na máxima pela primeira vez em quase quatro meses, endossado por blue chips, notadamente Petrobras, em meio a novo avanço do petróleo no exterior.
A primeira sessão de setembro também incluiu dados sobre o PIB do Brasil no segundo trimestre, que confirmaram a desaceleração da atividade econômica e alimentaram expectativas de novos cortes na taxa Selic.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou em alta de 1,3%, a 179.722,48 pontos. Na máxima do dia, chegou a 181.060,89 pontos. Na mínima, marcou 177.299,50 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$31 bilhões.
"Petrobras que mais uma vez impulsionou a alta do índice, em meio ao avanço do petróleo", afirmou o sócio e advisor da Blue3 Investimentos, Willian Queiroz.
O barril do petróleo sob o contrato Brent fechou com alta de 4,6%, a US$94,65, com a retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã renovando preocupações sobre a oferta da commodity.
Em Wall Street, o S&P 500 fechou com declínio de 0,71%, enquanto o rendimento do título de 10 anos do Tesouro norte-americano marcava 4,794% no final da tarde, de 4,758% na véspera.
Na visão do analista Matheus Villela, da gestora de patrimônio Aware Investments, o desempenho da Petrobras ajudou a explicar uma parcela importante da alta da bolsa, mas o resultado do PIB no segundo trimestre também teve uma contribuição secundária para o pregão.
De acordo com o IBGE, o PIB brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre ante os três meses anteriores em dados com ajuste sazonal, após alta de 1,1% no primeiro trimestre, com retração do consumo das famílias e perda de dinamismo da indústria.
"O resultado afastou o risco de uma desaceleração mais brusca no curto prazo. Ainda assim, a economia perdeu força em relação ao...primeiro trimestre", disse Villela, destacando que os dados confirmaram a perda de fôlego da demanda doméstica. "Manteve a perspectiva de cortes da Selic", acrescentou.
Dados disponibilizados pela B3 nesta terça-feira mostraram saída de capital externo das ações brasileiras no último dia 28, de R$130 milhões, após cinco sessões seguidas com entrada líquida, que trouxe algum alento após fortes saídas desde o começo de agosto. Até o dia 28, o saldo no mês passado estava negativo em quase R$18,6 bilhões.
Estrategistas da XP afirmaram que o "valuation e o técnico (das ações brasileiras) continuam atrativos", mas que seguem esperando volatilidade, dado que o mercado está ainda no meio do "trade eleitoral".
Em relatório com recomendações de ações para setembro, eles reiteraram o valor justo do Ibovespa em 200 mil pontos para o fim de 2026.
DESTAQUES
• PETROBRAS PN avançou 4,11% e PETROBRAS ON subiu 4,14%, com o setor como um todo favorecido pela alta do petróleo no mercado internacional. A Petrobras também anunciou que aumentará em 13,9% o preço médio de venda de querosene de aviação (QAV). Ainda no radar, a produção de petróleo do Brasil somou um recorde de 4,5 milhões de barris por dia em julho, segundo a ANP, e o Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região derrubou liminar que suspendia a cobrança do imposto de 12% sobre a exportação de petróleo.
• VALE ON fechou negociada em alta de 0,58%, descolada da fraqueza de ações de mineradoras no exterior. Na China, o contrato futuro de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian fechou o pregão diurno com alta de 0,14%, a 726,50 iuans (US$108,10) por tonelada. No setor de mineração e siderurgia, CSN ON foi o destaque com salto de 7,89%, em meio a expectativas relacionadas à potencial venda da unidade de cimento da companhia.
• BANCO DO BRASIL ON subiu 2,27%, acompanhado por BTG PACTUAL UNIT, que avançou 2,3%, ITAÚ UNIBANCO PN, que se valorizou 0,95% e BRADESCO PN, que encerrou com acréscimo de 1,22%. SANTANDER BRASIL UNIT recuou 0,74%. O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, também afirmou nesta terça-feira que são esperadas para os próximos meses medidas relevantes para ajudar o sistema financeiro a lidar com endividamento em linhas de crédito de custo mais alto.
• C&A ON avançou 5,41%, ampliando a recuperação após uma forte correção negativa nas primeiras semanas de agosto, mês no qual o papel acumulou um declínio de quase 12%.
• FLEURY ON caiu 2,39%, em sessão de ajustes, após fechar na véspera em uma máxima desde fevereiro de 2021. Mesmo com o declínio nesta terça-feira, as ações do grupo acumulam uma valorização de quase 31% em 2026.
• WEG ON recuou 0,9%, entre as poucas quedas da sessão. A queda vem após a ação acumular alta de mais de 6% em agosto.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)