Mercado eleva projeção de inflação e prevê corte menor da Selic com guerra e disparada do petróleo

Mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 subiu de 3,91% para 4,10%; projeção para a taxa de juros ficou em 12,25%

16 mar 2026 - 09h30
(atualizado às 10h16)

A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 subiu de 3,91% para 4,10% em meio às incertezas com a guerra no Irã e à disparada nos preços do petróleo. A taxa está 0,40 ponto porcentual abaixo do teto da meta, de 4,50%. Há um mês, era de 3,95%. Considerando apenas as 118 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida aumentou de 3,92% para 4,12%.

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A projeção para o IPCA de 2027 ficou estável em 3,80%. Há um mês, era de 3,80%. Considerando apenas as 113 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida passou de 3,81% para 3,80%.

O IPCA encerrou 2025 com alta acumulada de 4,26%, conforme divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou abaixo da última mediana do Focus, que previa que alta de 4,31%, e da estimativa do Banco Central para o período, de alta de 4,4%.

Banco Central aumentou sua estimativa de crescimento da economia brasileira neste ano, de 2,0% para 2,3%
Banco Central aumentou sua estimativa de crescimento da economia brasileira neste ano, de 2,0% para 2,3%
Foto: André Dusek/Estadão / Estadão

Conforme trajetória divulgada no comunicado da reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC prevê que o IPCA irá encerrar 2026 com alta de 3,4% e espera que a inflação em 12 meses chegue a 3,2% no horizonte relevante, atualmente localizado no terceiro trimestre de 2027.

A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.

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No Focus desta segunda-feira, as projeções para o IPCA de 2028 e 2029 ficaram estáveis em 3,50%, pela 19ª e 28ª semanas consecutivas.

Selic

A mediana para a Selic no fim de 2026 subiu de 12,13% para 12,25%. Considerando só as 105 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana também subiu de 12,13% para 12,25%.

Os economistas do mercado financeiro passaram a esperar que o Banco Central diminua a taxa Selic em apenas 0,25 ponto porcentual, a 14,75%, na próxima quarta-feira. É a primeira vez desde o início de dezembro de 2025 que a mediana do Sistema Expectativas de Mercado, que embasa o relatório Focus, deixa de indicar um corte de 0,50 ponto.

Na sua última decisão, de 28 de janeiro, o Copom manteve a taxa básica de juros em 15%, mas indicou que iria "iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião". A maioria do mercado já esperava uma redução inicial de 0,50 ponto, considerando o nível elevado dos juros reais brasileiros.

Mas o ataque de Estados Unidos e Israel contra o Irã no início deste mês fez os preços do petróleo dispararem no mercado internacional, com o barril do tipo Brent cotado acima de US$ 100 nesta segunda-feira. Há o receio de que a alta da commodity seja duradoura, com pressões sobre a inflação.

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A projeção para o fim de 2027 continuou em 10,50%, pela 57ª semana seguida. Considerando só as 100 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana também manteve-se em 10,50%.

A mediana para a Selic no fim de 2028 permaneceu em 10,00%, pela 8ª semana consecutiva. Para 2029, a mediana permaneceu em 9,50%, pela 20ª semana seguida.

PIB

A mediana para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 aumentou levemente, de 1,82% para 1,83%. Um mês antes, era de 1,80%. Considerando apenas as 79 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa caiu de 1,87% para 1,84%.

O Banco Central aumentou sua estimativa de crescimento da economia brasileira neste ano, de 2,0% para 2,3%, no Relatório de Política Monetária (RPM) do quarto trimestre. Segundo a autarquia, a elevação refletiu a revisão nas séries históricas das Contas Nacionais Trimestrais (CNT), que afetou, especialmente, o crescimento da agropecuária no primeiro semestre, e um resultado do terceiro trimestre ligeiramente acima do esperado.

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A estimativa intermediária do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2027 ficou estável em 1,80%, pela 11ª semana seguida. Considerando só as 74 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, subiu de 1,75% para 1,80%.

As medianas para o crescimento do PIB de 2028 e 2029 permaneceram em 2,00%, pela 105ª e 52ª semana seguida, respectivamente.

Dólar

A mediana do relatório Focus para a cotação do dólar no fim de 2026 oscilou de R$ 5,41 para R$ 5,40. Já a projeção para a moeda no fim de 2027 caiu de R$ 5,50 para R$ 5,47. Há um mês, ambas eram de R$ 5,50.

Para o fim de 2028, a projeção manteve-se em R$ 5,50. Para 2029, subiu de R$ 5,50 para R$ 5,51. Há um mês, eram de R$ 5,50 e R$ 5,51, respectivamente.

A moeda americana fechou 2025 cotada em R$ 5,4840, com perda acumulada de 11,18% frente ao real. A apreciação da divisa brasileira foi motivada pelo enfraquecimento global do dólar e pela atratividade das operações de carry trade, na esteira do forte ciclo de aperto monetário conduzido pelo Banco Central, que levou a Selic a 15% ao ano.

A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.

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