A transmissora ISA Energia registrou lucro líquido de R$357,7 milhões no primeiro trimestre, 6% acima do apurado um ano antes, impulsionado pela entrega de novas linhas e subestações de energia que passaram a incrementar a receita, de acordo com balanço financeiro divulgado nesta segunda-feira.
O resultado operacional medido pelo Ebitda somou R$1,0 bilhão no período, alta de 10,6% no comparativo anual, enquanto a receita líquida alcançou R$1,2 bilhão, aumento de 8,3%.
Segundo os executivos da ISA, a melhora do desempenho reflete a entrada em operação de uma série de projetos de transmissão de energia ao longo do último ano, o que permitiu compensar uma queda nos fluxos financeiros da chamada "RBSE", uma indenização que vem sendo paga à companhia nos últimos anos.
"A gente teve ainda um efeito negativo de RBSE, de R$52 milhões, mas o nosso crescimento de receita operacional foi suficiente para superar isso... o principal, projetos de grande porte de reforços e melhorias, e também projetos licitados", destacou a diretora financeira, Silvia Wada, em entrevista à Reuters.
Entre os empreendimentos colocados em operação no primeiro trimestre, o segundo bloco do projeto Piraquê, em Minas Gerais e Espírito Santo, e Jacarandá, em São Paulo, renderam um incremento de R$330 milhões de receita anual permitida (RAP) à companhia. A cifra se soma às RAPs de outros lotes energizados no último ano, como Água Vermelha e Riacho Grande.
"Em termos de 'pipeline' de investimentos, a gente fica com R$5 bilhões para os projetos licitados a terminar (bloco 3 de Piraquê, Serra Dourada e Itatiaia), mais R$7,2 bi de reforços e melhorias, totalizando R$12,2 bilhões para a frente", acrescentou a executiva, citando aportes plurianuais.
A companhia não abre previsões anuais de investimentos, mas deve continuar com aportes robustos em 2026, embora menores frente ao pico de mais de R$5 bilhões alcançado em 2025, disse o CEO, Rui Chammas.
Diante do ciclo de investimentos "greenfield", a empresa tem convivido com um nível de alavancagem mais alto, tendo alcançado 3,72 vezes a dívida líquida sobre Ebitda ao final de março.
Chammas disse que a empresa estudará o leilão de projetos de transmissão de energia programado pelo governo para o segundo semestre deste ano, que deverá oferecer lotes maiores, mas ressaltou que a ISA Energia continuará atenta à sua disciplina financeira.
"A gente só vai avançar (no leilão) se conseguir encontrar um lote que nos permita satisfazer nosso plano financeiro com essas três regras: continuar pagando dividendos, rentabilizar projeto e uma disciplina financeira que não pese na nossa alavancagem", afirmou o CEO.
A ISA Energia anunciou nesta segunda-feira, junto com o balanço, a distribuição de mais R$279 milhões em dividendos complementares a 2025, totalizando R$1,2 bilhão em proventos referentes ao exercício do ano passado e correspondente a um "payout" de 75%.