O presidente Lula manifestou preocupação com a alta da dívida pública, que atingiu 82,9% do PIB em agosto, alertando que o descontrole fiscal prejudica sobretudo os mais pobres. Ele defendeu o crescimento econômico para sanar as contas e evitar o avanço do endividamento, mudando o tom de declarações anteriores em que minimizava o tema. A gestão fiscal tem sido alvo de críticas contra Lula na disputa do segundo turno da reeleição presidencial contra o senador Flávio Bolsonaro, no dia 25 deste mês.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu nesta quinta-feira que tem preocupação com o aumento da dívida pública e defendeu o crescimento econômico como forma de resolver o problema fiscal.
O presidente afirmou ainda, em entrevista à TV Globo, que sabe que se as contas públicas saírem do controle, os mais pobres sofrerão as consequências com mais intensidade.
"Você acha que eu não estou preocupado? É lógico que eu estou preocupado. Eu criei uma família com 5 filhos, eu sei o que é dívida", disse Lula, na entrevista.
"Eu trato com muito respeito essa questão da dívida, eu não quero que a dívida cresça", acrescentou.
No final de agosto, em entrevista ao Jornal Nacional, Lula havia afirmado que a dívida pública não era motivo de preocupação e que o país deve registrar superávit fiscal neste ano.
A condução da situação fiscal do país é um dos pontos levantados por críticos ao presidente, que tenta a reeleição em disputa com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os dois se enfrentam nas urnas no dia 25 deste mês, quando ocorrem as votações do segundo turno.
Dado divulgado pelo Banco Central no fim de setembro aponta que a dívida bruta do Brasil subiu a 82,9% do PIB em agosto.