Juros futuros fecham com leves baixas no Brasil em meio a apostas de manutenção de juros pelo Fed

30 set 2026 - 17h14
Resumo
Os juros futuros no Brasil fecharam em leve queda nesta quarta-feira, influenciados pelo alívio externo após dados de inflação (PCE) mais fracos nos EUA reforçarem as apostas de manutenção das taxas pelo Fed. No entanto, o PIB norte-americano mais forte que o esperado e a alta posterior nos rendimentos dos Treasuries limitaram as perdas locais. No cenário doméstico, investidores monitoraram a alta da dívida bruta para 82,9% do PIB, a inflação ao produtor e o tenso noticiário político-eleitoral.

As taxas dos DIs fecharam a quarta-feira ‌com leves baixas, em meio ao aumento das apostas de que o Federal Reserve não promoverá nova alta de juros em outubro nos EUA, enquanto no Brasil os investidores seguiram atentos ao noticiário eleitoral.

Os rendimentos dos Treasuries chegaram a ceder durante a manhã, contribuindo para o recuo das taxas dos DIs, mas recuperaram o fôlego no restante da sessão.

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No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava ⁠em 13,55%, com baixa de 2 pontos-base ante o ajuste de 13,573% da sessão anterior. Na ponta longa da ‌curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 13,96%, com recuo de 4 pontos-base ante 13,999%.

Após terem se enfraquecido na tarde de terça-feira, na esteira de declarações do presidente do ‌Federal Reserve de Nova York, John Williams, os rendimentos dos Treasuries ‌exibiram baixas mais cedo nesta quarta-feira, em reação a alguns dados da economia dos EUA.

O núcleo ⁠do índice PCE -- uma medida bastante observada pelo Federal Reserve -- subiu 0,2% em agosto, abaixo da projeção de 0,3% dos economistas ouvidos pela Reuters. O índice PCE cheio subiu 0,3% em agosto, também abaixo da alta de 0,4% projetada.

O resultado elevou as apostas de que o Federal Reserve tende a manter sua taxa de juros na faixa de 3,75% a 4,00% em outubro, o que também pesou na curva brasileira.

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Às 9h31 -- logo após ‌a divulgação do PCE -- a taxa do DI para janeiro de 2035 marcou a mínima intradia de 13,870% (-13 pontos-base).

Outros ‌números norte-americanos, no entanto, não foram ⁠tão favoráveis à manutenção ⁠de juros pelo Fed. O Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA avançou 2,2% no segundo trimestre, acima da projeção de 1,5% ⁠de economistas e da estimativa anterior, também de 1,5%.

"Os dois dados ‌puxam as apostas de juros em ‌direções opostas. A revisão para cima do PIB reforça o diagnóstico de uma economia forte, sustentada pelo consumo e pelo investimento, e tende a aumentar a expectativa de juros mais altos à frente. Já a inflação abaixo do esperado joga no sentido contrário, reduzindo a urgência para novas altas", resumiu ⁠Vitor Kayo, economista sênior da Nomad.

Em outra divulgação, o Relatório Nacional de Emprego da ADP mostrou que foram abertos 90 mil postos de trabalho no setor privado neste mês nos EUA, após 36 mil em agosto, em dado revisado para baixo. Economistas previam abertura de 70 mil postos.

Passado o primeiro impacto do PCE, os rendimentos dos Treasuries se recuperaram, com as taxas de ‌curto prazo se reaproximando da estabilidade e as de longo prazo voltando a subir. No pico do dia, o rendimento do Treasury de dez anos superou os 5,30%.

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Isso apagou boa parte da baixa da curva ⁠brasileira. Às 15h14, a taxa do DI para janeiro de 2035 atingiu a máxima de 14,010% (+1 pontos-base), para depois encerrar com leve queda.

Além do movimento dos Treasuries, investidores no Brasil monitoraram o noticiário sobre a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo Planalto.

Nesta quarta-feira, o plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julga a questão das publicações em redes sociais ligadas à polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida, que tem pressionado a campanha de Flávio nos últimos dias.

Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que os preços ao produtor subiram 0,36% em agosto, após três meses de deflação. Já o Banco Central informou que a dívida bruta brasileira subiu para 82,9% do PIB em agosto, ante 82,6% em julho.

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Às 16h46, o rendimento do Treasury de dois anos --que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo -- mostrava estabilidade, a 4,889%. Já o retorno do título de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- subia 4 pontos-base, a 5,293%.

(Edição de Pedro Fonseca)

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