O dólar fechou em baixa de 0,76%, a R$ 5,1735, acumulando queda de 0,15% no mês e de 5,75% no ano. O movimento refletiu dados de inflação abaixo do esperado nos EUA (índice PCE), que fortaleceram a expectativa de que o Fed manterá os juros inalterados em outubro. No mercado doméstico, a cotação foi pressionada pela disputa técnica em torno da Ptax de fim de mês e pela cautela com o cenário político e o fluxo cambial, em um dia também marcado por ganhos no Ibovespa.
O dólar fechou a quarta-feira em baixa ante o real, após alguns dados da economia norte-americana reforçarem as apostas de que o Federal Reserve não subirá juros em outubro, enquanto no Brasil a primeira metade da sessão foi marcada pela formação da taxa Ptax de fim de mês.
O dólar à vista encerrou a sessão com baixa de 0,76%, a R$5,1735. No mês, a divisa acumulou queda de 0,15% e, no ano, recuo de 5,75%.
Às 17h09, o dólar futuro para novembro -- que nesta quarta-feira passou a ser o mais negociado no Brasil -- cedia 0,56% na B3, aos R$5,2030.
Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa).
No início da tarde, o BC definiu a Ptax em R$5,1803 para compra e R$5,1809 para a venda.
Pela manhã, alguns dados da economia norte-americana impactaram os mercados de moedas em todo o mundo.
O núcleo do índice PCE -- uma medida bastante observada pelo Federal Reserve -- subiu 0,2% em agosto, abaixo da projeção de 0,3% dos economistas ouvidos pela Reuters. O índice PCE cheio subiu 0,3% em agosto, também abaixo da alta de 0,4% projetada.
O resultado elevou as apostas de que o Federal Reserve tende a manter sua taxa de juros na faixa de 3,75% a 4,00% em outubro, o que pesou sobre os rendimentos dos Treasuries e sobre as cotações do dólar ante as demais divisas.
No Brasil, o dólar à vista marcou a cotação mínima de R$5,1638 (-0,95%) às 9h46, na esteira da divulgação do PCE.
"Ontem alguns 'Fed boys' sinalizaram que não há necessidade de aumento de juros nos EUA no curto prazo, e hoje o PCE veio fraco, o que pesou sobre o dólar", pontuou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. Na terça-feira, o presidente do Fed de Nova York, John Williams, havia defendido que "não há necessidade de pressa" ao tratar dos juros nos EUA.
"Aqui o dólar caiu um pouco mais por conta da disputa técnica da Ptax, com os vendidos pressionando", acrescentou Rugik.
No restante da sessão, o dólar recuperou um pouco da força, mas ainda assim fechou em baixa ante o real, em um dia também positivo para o Ibovespa.
No Brasil, os investidores seguiram monitorando o noticiário sobre a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo Planalto.
Nesta quarta-feira, o plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julga de forma virtual a questão das publicações em redes sociais ligadas à polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida, que tem pressionado a campanha de Flávio nos últimos dias.
À tarde, o Banco Central informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$4,025 bilhões em setembro até o dia 25. Na semana passada, porém, entraram no país US$3,054 bilhões líquidos.
(Edição de Isabel Versiani)