IPCA-15 desacelera em janeiro, mas vai a 4,5% em 12 meses

27 jan 2026 - 09h05
(atualizado às 10h05)

O IPCA-15 iniciou 2026 em desaceleração na comparação mensal, mas a taxa em 12 meses ganhou força, um dia antes da decisão do Banco Central sobre a taxa de juros e em meio a apostas sobre o início do afrouxamento monetário.

Farmárcia no Rio de Janeiro
16/04/2020. REUTERS/Ricardo Moraes
Farmárcia no Rio de Janeiro 16/04/2020. REUTERS/Ricardo Moraes
Foto: Reuters

Em janeiro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) ‌subiu 0,20%, de uma alta de 0,25% em dezembro, segundo os dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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No entanto, a taxa em ‌12 meses até janeiro foi para uma alta de 4,50%, de 4,41% em dezembro, no limite do teto da meta contínua para a inflação -- 3,0% medido pelo IPCA, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Os resultados ficaram em linha com as expectativas em pesquisa da Reuters de avanço mensal de 0,21% e de 4,51% em 12 meses.

"Apesar de o IPCA-15 ter mostrado uma leve deterioração qualitativa, o quadro inflacionário brasileiro ‍segue em processo de desinflação. Esse movimento é sustentado pela valorização recente do câmbio, pela maior estabilidade das commodities, pela queda recente dos preços dos alimentos e pela desaceleração dos custos de produção, tanto no segmento agrícola quanto no industrial", avaliou Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.

A inflação terminou 2025 abaixo do teto da meta depois de o Banco Central adotar uma política monetária bastante apertada, com a ‌taxa Selic em 15%.

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A autoridade monetária volta a se reunir a partir desta terça-feira e divulga sua decisão ‌sobre a taxa básica de juros na quarta, com ampla expectativa de manutenção. O foco está voltado para indicações sobre o início dos cortes.

Segundo a mais recente pesquisa Focus realizada pelo BC, especialistas veem o primeiro corte da Selic em março, de 0,50 ponto percentual, terminando 2026 em 12,25% e com a inflação a 4,0%.

Em janeiro, a queda dos preços em Habitação e Transportes compensou a pressão de Alimentos e de Saúde e Cuidados Pessoais.

Influenciado pela alta de 1,38% nos artigos de higiene pessoal, o grupo Saúde e cuidados pessoais teve a maior influência para o resultado do mês do IPCA-15, saindo de um recuo de 0,01% em dezembro para alta de 0,81% em janeiro.

Já a alimentação no domicílio interrompeu uma sequência de sete meses consecutivos de quedas e subiu 0,21%, levando o avanço de Alimentação e bebidas, grupo de maior peso no índice, a acelerar de 0,13% para 0,31% no primeiro mês do ano.

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Contribuíram para esse resultado as altas do tomate (16,28%), da batata-inglesa (12,74%), das frutas (1,65%) e das carnes (1,32%).

Por outro lado, os grupos de Habitação e Transportes registraram respectivamente quedas de 0,26% e 0,13%. No primeiro grupo, houve redução de 2,91% na energia elétrica residencial, maior impacto negativo no resultado do mês, com a entrada em vigor da bandeira verde, sem custo adicional para os consumidores.

Nos Transportes, os preços das passagens aéreas caíram 8,92% e os do ônibus urbano tiveram recuo de 2,79%.

Nas contas de André Valério, economista sênior do Inter, a inflação de serviços, acompanhada de perto pelo BC, recuou de 0,7% para 0,15%. No entanto, o resultado foi influenciado pela queda em passagens aéreas e, ‌excluindo esse item, a inflação de serviços teria sido de 0,36%.

"Para a decisão do Copom amanhã, o resultado de hoje é de pouca relevância. Com o anúncio da redução do preço da gasolina em 5,2% pela Petrobras, teremos um impacto baixista relevante no IPCA entre janeiro e março, o que, aliado à tendência desinflacionária em curso e de acomodação da atividade, fornece, em nossa visão, condições suficientes para o início do ciclo de cortes em março", disse ele.

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