Investidores em energia renovável se mobilizam para leilão de baterias, mas alertam para riscos

3 jun 2026 - 12h40

Grandes investidores em energias renováveis, como a Brookfield ‌e uma joint venture da BlackRock e Siemens, estão prontos para disputar o primeiro leilão de baterias do Brasil, disseram executivos à Reuters.

Mas eles alertam para riscos que precisam ser resolvidos nos próximos meses para evitar entraves ao certame marcado para dezembro.

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O leilão inédito para contratar baterias para o setor elétrico brasileiro, com uma demanda estimada de pelo menos 2 gigawatts (GW), foi oficializado pelo governo nesta quarta-feira após dois ⁠anos de promessas, tempo que foi aproveitado por empresas interessadas para antecipar seus preparativos.

"A gente tem licença ambiental ‌de projetos de bateria já aprovada, estudos técnicos de tensão e estudos elétricos já feitos, a terra já resolvida... Então, se tivesse um leilão hoje, estaríamos prontos", disse à Reuters André Flores, líder ‌de investimento em Energia e Transição na Brookfield no Brasil.

O executivo ‌da gestora canadense diz que as baterias são o principal foco de investimentos da Brookfield Renewable ⁠para este ano, e que o Brasil é a "peça faltante" no portfólio da unidade, que recentemente começou a investir no segmento em países em desenvolvimento.

A Brookfield tem um portfólio de cerca de 4 GW em grandes parques renováveis no Brasil, operadas por sua geradora de energia Elera. Essas usinas podem receber baterias, o que tenderia a trazer vantagem competitiva no leilão, apontou ele.

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Outro grande investidor interessado no certame é ‌a Brasol, joint venture entre BlackRock e Siemens.

A empresa, que atua com soluções de energia como a geração distribuída ‌solar, tem uma equipe de ⁠cerca de 50 pessoas trabalhando ⁠diariamente para viabilizar sua participação no leilão, afirmou diretor para a área de armazenamento de energia, Diogo Zaverucha.

Segundo o ⁠executivo, enquanto aguardava o lançamento do leilão, a Brasol investiu ‌em viagens para vários mercados importantes ‌com projetos operacionais, como a China, além de estreitar negociações com fornecedores e financiadores.

"Uma participação séria e madura no leilão requer muito tempo, planejamento e investimento", disse Zaverucha, contando que a empresa desenvolveu projetos de baterias no Nordeste, Sul e Sudeste enquanto o governo não definia as localidades ⁠prioritárias para o primeiro certame.

Além das operadoras de baterias, a oportunidade também mobilizou fabricantes, especialmente da China, que enxergam no mercado brasileiro uma possibilidade de garantia de encomendas para uma indústria que sofre com sobreoferta.

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A chinesa Sungrow, fornecedora de equipamentos ligados a energias renováveis, aposta no potencial do Brasil para baterias desde 2020, disse Mauro Basquera, diretor técnico de BESS e ‌energia solar da companhia na América Latina.

Segundo ele, a Sungrow já opera mais de 3 GWh em baterias na América Latina, atuando em conjuntos com empresas como Atlas Renewable Energy, e montou estrutura no ⁠Brasil para acompanhar a execução de projetos locais e prestar serviços de pós-venda durante todo o tempo dos contratos.

RISCOS NO CUSTEIO

Apesar do apetite para o leilão, os investidores apontam um risco importante relacionado ao custeio da contratação do leilão, que, conforme lei aprovada no ano passado, deverá recair sobre os geradores de energia.

Embora ainda não haja uma definição sobre como esses custos seriam rateados, o tema já vem provocando insatisfação entre geradores e pode resultar em judicialização.

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"Na nossa visão, essa indefinição pode gerar potencial atraso no leilão, e existe risco de judicialização por parte dos geradores caso o leilão contemple essa regra ou não haja uma mudança de regra", avaliou Zaverucha, da Brasol.

"Hoje não é nada claro quem paga e como paga... Precisa ser resolvido antes (do leilão)", acrescentou Flores, da Brookfield, opinando que, passado o anúncio das regras, o setor deverá se movimentar para esclarecer essas questões e retirar do caminho as incertezas que possam impedir ou atrapalhar o leilão.

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