Ibovespa avança mais de 1% com alívio externo, mas incertezas persistem

16 mar 2026 - 17h03
(atualizado às 17h39)

O Ibovespa fechou em alta nesta segunda-feira, superando os 181 mil ‌pontos no melhor momento do pregão, em dia de recuperação endossada pelo cenário externo, com alívio nos preços do petróleo e viés positivo em Wall Street.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 1,25%, a 179.875,44 pontos, após três sessões seguidas de queda, período em que acumulou um declínio de mais de 3%.

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Na máxima do dia, chegou a marcar 181.254,85 pontos. Na mínima, registrou 177.656,24 pontos. O volume financeiro somou R$22,7 bilhões.

O barril do petróleo Brent fechou em queda de 2,84%, ⁠a US$100,21, o que corroborou a melhora nos mercados, mas o clima segue volátil, sem sinais de um desfecho rápido no conflito ‌no Oriente Médio, que já dura mais de duas semanas.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira acreditar que o governo iraniano quer fazer um acordo para acabar com a guerra, mas que não sabe se o Irã está ‌pronto ainda.

Diversos aliados dos EUA também disseram nesta segunda-feira que não tinham planos ‌imediatos para enviar navios a fim de desbloquear o Estreito de Ormuz, rejeitando um pedido de Trump por apoio ⁠militar para manter a via navegável aberta.

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Em Wall Street, o S&P 500 fechou em alta de 1,01%.

Na visão do analista Nícolas Mérola, da EQI Research, a performance dos ativos financeiros nesta segunda-feira parece ser mais uma adequação, uma adaptação dos mercados ao conflito, do que uma mudança de cenário.

Ele pontuou que o petróleo, de fato, não voltou a rondar os US$120 o barril, mas segue na casa dos US$100, então ainda é um "nível de estresse", enquanto a situação envolvendo a guerra dos EUA e Israel ‌contra o Irã continua "nebulosa".

Investidores também seguem especulando os potenciais reflexos do cenário geopolítico na inflação, e nesta semana uma série de reuniões ‌de política monetária, incluindo nos EUA e ⁠no Brasil, pode revelar a visão ⁠dos bancos centrais.

No caso brasileiro, que terá o desfecho conhecido no final da quarta-feira, a expectativa migrou para um corte de 0,25 ponto ⁠percentual, com algumas apostas mais recentemente até mesmo de manutenção da Selic ‌a 15% ao ano.

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Pesquisa Focus publicada há ‌uma semana ainda apontava corte de 0,50 pontos, conforme a mediana das projeções. Na edição mais recente, publicada nesta segunda-feira pelo Banco Central, essa previsão passou para 0,25 ponto.

Economistas do Deutsche Bank reiteraram sua estimativa de queda da Selic para 14,50%, mas ponderaram que os desdobramentos no Oriente Médio e a persistência da inflação de serviços representam riscos altistas ⁠para a projeção.

"Um corte mais moderado de 0,25 ponto também é uma possibilidade, e não descartamos totalmente a manutenção da taxa, caso as hostilidades e as disrupções no mercado de petróleo se intensifiquem nos dias que antecedem a reunião."

DESTAQUES

- PETROBRAS PN valorizou-se 2,04% e PETROBRAS ON encerrou em alta de 1,5%, mesmo com o declínio do petróleo no exterior. Analistas do BTG Pactual elevaram a recomendação das ações da estatal para compra ante neutra, ‌bem como o preço-alvo para R$56 ante R$40.

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- ITAÚ UNIBANCO PN avançou 1,42%, acompanhado dos pares BANCO DO BRASIL ON, com acréscimo 0,38%, SANTANDER BRASIL UNIT, com elevação de 0,79%, e BTG PACTUAL UNIT, que subiu 1,43%. BRADESCO PN terminou ⁠com variação positiva de 0,05%.

- VALE ON subiu 0,69%, mesmo com a fraqueza dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian caiu 0,74%.

- CSN ON fechou em alta de 5,42%, experimentando uma trégua na pressão vendedora, que se acentuou após o balanço mostrar piora no nível de endividamento na base trimestral. Investidores continuam atentos ao plano de desinvestimentos anunciado recentemente pela companhia.

- MAGAZINE LUIZA ON valorizou-se 5,35%, após fechar em queda nos três pregões anteriores, período em que acumulou declínio de quase 8%. A recuperação nesta segunda-feira era endossada pelo alívio nos DIs. O índice do setor de consumo da B3 terminou com elevação de 1,12%.

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- EMBRAER ON subiu 4,2%, também experimentando uma pausa na pressão vendedora de março. Até a sexta-feira, a ação acumulava no mês uma queda de 20%.

- PORTO SEGURO ON caiu 4%, após acordo não vinculante com a Oncoclínicas para a criação de uma nova empresa com as clínicas oncológicas da companhia. O grupo segurador investiria R$500 milhões e assumiria participação de 30% na nova companhia, além de subscrever R$500 milhões em debêntures a serem emitidas pela nova empresa. ONCOCLÍNICAS ON, que não é do Ibovespa, cedeu 0,54%.

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