O Ibovespa subiu 0,44%, aos 187.422 pontos, sustentado pelos ganhos da Petrobras em um dia de relativa estabilidade. O mercado operou em tom de cautela diante da proximidade das eleições, marcada por pesquisas que apontam disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, e da ata do Banco Central sobre a Selic a 13,75%. No exterior, os investidores acompanharam a Assembleia Geral da ONU e o recuo do petróleo, enquanto Suzano e Vale também avançaram, equilibrando as perdas do setor bancário.
O Ibovespa fechou com alta modesta nesta terça-feira, apoiada pela recuperação das ações da Petrobras, em pregão marcado pela repercussão de nova pesquisa eleitoral e análise da ata da última reunião de política monetária do Banco Central.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,44%, a 187.422,92 pontos, após marcar 184.976,81 na mínima e chegar a 187.671,74 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$30,23 bilhões.
De acordo com o responsável pela mesa de ações e sócio do BTG Pactual, Jerson Zanlorenzi, a bolsa ficou praticamente "de lado", sem grandes variações, sem grandes destaques.
Zanlorenzi chamou a atenção para o cenário eleitoral, principalmente a proximidade do primeiro turno, em 4 de outubro, que deixa investidores "em compasso de espera", principalmente após uma performance positiva recente.
Em setembro, o Ibovespa acumula valorização de 5,64%, em parte ajudada pelo retorno do investidor estrangeiro. De acordo com dados da B3, o saldo de capital externo está positivo em R$9,23 bilhões no mês até o dia 18.
Sob os holofotes no dia, nova pesquisa Quaest, conhecida na véspera, referendou o cenário de disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) pelo Palácio do Planalto. Investidores aguardam novos levantamentos na semana.
O Banco Central também divulgou mais cedo a ata da última reunião de política monetária, que manteve o tom do comunicado que acompanhou a decisão da semana passada de reduzir a Selic a 13,75% ao ano.
A Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, também ocupou as atenções, com discursos do presidente Lula e do seu par norte-americano, Donald Trump, na primeira etapa da sessão.
Havia expectativas de que o evento corroborasse um avanço diplomático envolvendo a guerra no Irã. À tarde, Trump disse que autoridades dos EUA tiveram uma reunião "muito boa" de três horas nesta terça-feira com a delegação iraniana.
O barril do petróleo Brent recuou 1,09%, a US$99,25 tendo ainda como pano de fundo que o Irã sinalizou que poderá reabrir o Estreito de Ormuz em sete dias e que a Arábia Saudita se prepara para retomar as exportações de seu porto de Yanbu, no Mar Vermelho.
Em Nova York, o índice acionário S&P 500 terminou estável, enquanto o rendimento do título de 10 anos do Tesouro norte-americano marcava 4,9511% no final do dia, de 4,963% na véspera.
DESTAQUES
• PETROBRAS PN avançou 0,73% e PETROBRAS ON subiu 0,61%, mesmo com o declínio do petróleo no exterior. A diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, Renata Baruzzi, afirmou nesta terça-feira que a companhia enviará uma sonda de perfuração à Bacia da Foz do Amazonas em janeiro para iniciar os trabalhos em três novos poços.
• ITAÚ PN subiu 0,23%, também revertendo a fraqueza de parte do pregão, em dia misto no setor. BRADESCO PN avançou 1,49% e BTG PACTUAL UNIT valorizou-se 0,71%, mas BANCO DO BRASIL ON recuou 1,39% e SANTANDER BRASIL UNIT cedeu 0,6%, com novos avanços relacionados à oferta de troca feita pelo seu controlador, o espanhol Santander, para a aquisição das ações em circulação da subsidiária brasileira.
• VALE ON fechou em alta 0,39%, resistindo à queda dos futuros do minério de ferro na China, pressionados por perspectivas fracas de demanda no curto prazo. A Vale também confirmou nesta terça-feira a aquisição de uma participação de 30% na mineradora Ligga S.A., por meio de aporte de capital de aproximadamente US$190 milhões, e a assinatura de um contrato de compra de minério de ferro sinter feed produzido pela empresa.
• SUZANO ON encerrou com acréscimo de 2,81%, em meio a notícias sobre reajuste nos preços da celulose em outubro. A companhia está comunicando a clientes na Ásia uma elevação de US$20 a tonelada, enquanto para as Américas e Europa o preço será elevado em US$50.
• AXIA ON fechou em alta de 1,27%, tendo no radar notícia de que o conselho de administração aprovou uma nova operação de resgate de ações preferenciais classe C (PNC) envolvendo 70.716.228 papéis, equivalentes a R$3,9 bilhões e a 15,46% dessa classe de ação. Os resgates de PNCs funcionam como uma espécie de programa de recompra pela Axia.
• VIVARA ON perdeu 4,37%, em sessão de ajustes, após duas altas seguidas, sendo que apenas na véspera o papel subiu quase 5,5%.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)