O Ibovespa subiu 1,42%, superando os 188 mil pontos na contramão do exterior, impulsionado por bancos e pela Petrobras, que acompanhou a alta superior a 6% do petróleo após tensões no Oriente Médio. O mercado reagiu positivamente à pesquisa AtlasIntel, que indicou empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula em eventual segundo turno, alimentando expectativas de maior rigor fiscal. O fluxo de capital estrangeiro também sustentou a bolsa, mitigando cautelas globais sobre inflação e juros.
O Ibovespa fechou em alta nesta quinta-feira, voltando a superar os 188 mil pontos, sustentado principalmente pelas ações de bancos, com nova pesquisa eleitoral corroborando o cenário disputado para a eleição presidencial de outubro.
Os papéis da Petrobras também forneceram um apoio relevante, com o barril do petróleo disparando mais de 6% no mercado internacional, na esteira da escalada de ataques a petroleiros no Oriente Médio.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,42%, a 188.268,59 pontos, tendo marcado 188.538,85 na máxima. Na mínima, no começo do dia, recuou a 184.601,20 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$30,94 bilhões.
Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou no começo da tarde que o senador Flávio Bolsonaro (PL) está numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno da eleição entre ambos.
Flávio tem agora 46,4%, ante 42,6% na pesquisa anterior, ao passo que Lula tem 46,2%, ante 47,1%. Como a margem de erro da pesquisa é de 1 ponto percentual, os dois estão em empate técnico.
O levantamento mostrou ainda que Lula mantém a liderança no primeiro turno, com 43% das intenções de voto, mesmo patamar da pesquisa de agosto, enquanto Flávio soma 37,4%, ante 34% na pesquisa anterior.
A pesquisa confirmou cenários já indicados pelos levantamentos Quaest e BTG/Nexus no começo da semana e agradou dado que parte de mercado acredita em melhora do cenário fiscal do país com mudança no Palácio do Planalto.
"O mercado vê Flavio mais próximo de Lula no segundo turno com a expectativa que consiga criar uma política fiscal mais responsável com as contas públicas. E isso favorece a bolsa", afirmou o especialista em investimentos Josias Bento, sócio da GT Capital.
Dados atualizados da B3 também mostraram nova entrada de capital externo na bolsa paulista no último dia 8, com o saldo positivo em setembro passando a R$5,98 bilhões. Até o dia 4, era de quase R$5,34 bilhões.
Mais cedo, prevaleceram as preocupações com a inflação no mundo com o forte avanço do petróleo, que fechou em alta de 6,34%, a US$107,63.
Faltando menos de uma semana para a decisão de política monetária do Federal Reserve, o Banco Central Europeu elevou os juros nesta quinta-feira e afirmou que o conflito no Oriente Médio continua a gerar pressões.
Em Nova York, o S&P 500 recuou 0,58%, enquanto o rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos EUA avançava a 4,9626% no final da tarde, de 4,837% na véspera.
DESTAQUES
• ITAÚ UNIBANCO PN avançou 1,83%, com outros papéis do setor também melhorando após uma abertura mais fraca. BRADESCO PN subiu 3,88%, BANCO DO BRASIL ON fechou em alta de 2,8% e BTG PACTUAL UNIT valorizou-se 2,35%. SANTANDER BRASIL UNIT foi a exceção com declínio de 0,13%. Em Nova York, NUBANK terminou com elevação 0,13% após o banco divulgar detalhes sobre suas operações nos Estados Unidos.
• PETROBRAS PN subiu 1,45%, renovando máximas, novamente apoiada pelo movimento dos preços do petróleo no exterior, que favoreceu petrolíferas na bolsa como um todo. A Petrobras também busca realizar um aumento de cerca de R$1 por litro no preço do diesel vendido em refinarias, mas aguarda a publicação de medidas do governo federal que evitariam impactos para os consumidores, disseram duas fontes com conhecimento das discussões à Reuters. Na véspera, o governo anunciou por meio de medida provisória um novo subsídio ao diesel inicialmente fixado em R$1 por litro.
• VALE ON recuou 1,1%, em meio ao declínio dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Commodities de Dalian fechou o pregão diurno com queda de 0,95%.
• MAGAZINE LUIZA ON fechou em alta de 6,65%, endossada pelo alívio nas taxas dos contratos de DI, que apoiaram outros papéis de companhias sensíveis ao movimento de juros, como ASSAÍ ON, que saltou 7,17%, e HAPVIDA ON.
• FLEURY ON avançou 3%, retomando o sinal positivo após ajuste na véspera, quando fechou em queda de 2%. Analistas do JPMorgan reiteraram a classificação "underweight" para a ação, citando que o valuation limita o espaço para um "re-rating", mas elevaram o preço-alvo do papel de R$16,50 para R$18. Também destacaram que a visibilidade dos resultados da Fleury e seu perfil defensivo têm se tornado cada vez mais valiosos à medida que o Brasil se aproxima das eleições.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)