Taxas dos DIs caem após nova pesquisa eleitoral indicar crescimento de Flávio

10 set 2026 - 16h50
Resumo
As taxas dos DIs fecharam em queda nesta quinta-feira, na contramão do exterior, impulsionadas pela pesquisa AtlasIntel/Bloomberg que apontou Flávio Bolsonaro à frente de Lula no segundo turno. A melhora do senador agrada ao mercado, que teme a política fiscal de um novo mandato petista. O alívio local ocorreu apesar da forte alta do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries, provocada por tensões no Oriente Médio, e em meio ao monitoramento de decisões no STF e à desaceleração nos serviços locais.

Após subirem mais cedo, as taxas dos ‌DIs viraram para o negativo no fim da manhã e fecharam a quinta-feira em baixa, com investidores reagindo a mais uma pesquisa eleitoral mostrando o fortalecimento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência.

O recuo das taxas futuras no Brasil esteve na contramão do exterior, onde os rendimentos dos Treasuries dispararam e o petróleo Brent voltou a ser negociado na faixa dos US$107 o barril.

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No fim da tarde, a taxa ⁠do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,61%, em baixa de 2 pontos-base ante o ajuste ‌de 13,63% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,13%, com recuo de 8 pontos-base ante 14,213%.

No início do dia as taxas ‌chegaram a subir no Brasil, em sintonia com o exterior, ‌mas no fim da manhã elas viraram para o território negativo, em meio a especulações no ⁠mercado de que uma nova pesquisa mostraria o avanço de Flávio na disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na mínima do dia, a taxa do DI para janeiro de 2035 atingiu 14,045% (-17 pontos-base) às 12h -- antes mesmo da divulgação da pesquisa.

Às 14h30 a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou Flávio com 46,4% das intenções de voto em um segundo turno, contra 46,2% de Lula. No levantamento anterior os percentuais eram de 42,6% ‌e 47,1%, respectivamente. Ainda que os dois estejam em empate técnico, já que a margem de erro é de ‌1 ponto percentual, o fato de ⁠Flávio estar numericamente à ⁠frente de Lula foi bem recebido.

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Isso porque Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga ⁠sua reeleição como um empecilho para o controle das contas ‌públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, ‌notícias favoráveis a Flávio têm favorecido a queda do dólar e das taxas dos DIs.

No mercado de predição Polymarket, sediado nos Estados Unidos, Flávio também passou a superar Lula, com 53% das apostas de vitória neste fim de tarde, contra 44% do petista.

Além da disputa eleitoral, a crise no ⁠Supremo Tribunal Federal (STF) seguiu no foco dos investidores. Na véspera, o presidente da corte, ministro Edson Fachin, cassou decisões liminares concedidas anteriormente pelos colegas André Mendonça e Flávio Dino que discutiam a permanência ou não no cargo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Além disso, retirou o ministro Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news.

A baixa das taxas ‌futuras no Brasil contrastou com o exterior. Em meio ao acirramento da guerra no Oriente Médio, o petróleo e os rendimentos dos Treasuries tiveram altas fortes.

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Nesta quinta-feira, os houthis, alinhados ao Irã, assumiram o ⁠controle do porto iemenita de Mocha, o que representa uma ameaça adicional ao tráfego no Mar Vermelho. Já o tráfego no Estreito de Ormuz permaneceu restrito, devido à intensificação dos ataques a petroleiros na região nos últimos dias.

Às 16h37, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 12 pontos-base, a 4,957%. Já o petróleo Brent avançava 6,45%, para US$107,74 o barril, reforçando as preocupações com a inflação nos países.

Nesse contexto, o Banco Central Europeu elevou suas taxas de juros nesta quinta-feira pela segunda vez neste ano, buscando conter a alta de preços.

Pela manhã, com efeitos limitados na curva, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o volume de serviços no país ficou estável em julho ante o mês anterior e subiu 0,9% ante julho de 2025. Em mais um sinal de desaceleração da atividade econômica, os resultados ficaram abaixo das expectativas em pesquisa da Reuters com economistas, de altas de 0,2% na comparação mensal e de avanço de 1,1% na base anual.

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