O IBC-Br, prévia do PIB calculada pelo Banco Central, caiu 0,22% em julho na comparação com junho, recuo maior que o esperado pelo mercado (-0,10%). O resultado negativo foi generalizado, liderado pelo tombo de 1,15% da agropecuária e acompanhado por baixas na indústria (-0,40%) e nos serviços (-0,01%). Apesar disso, o indicador acumula avanço de 1,14% ante julho de 2025 e de 1,48% em 12 meses, reforçando o cenário de desaceleração gradual da atividade econômica brasileira no início do terceiro trimestre.
BRASÍLIA - O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), caiu 0,22% em julho, na comparação com junho, na série com ajuste sazonal, informou a autoridade monetária nesta quarta-feira, 16. Em junho, o indicador havia caído 0,88% (revisado, de -0,64%).
A queda registrada em julho foi mais intensa do que a prevista pela mediana da pesquisa Projeções Broadcast, de 0,10%. As estimativas do mercado iam de baixa de 0,40% a alta de 0,40%.
O resultado de julho confirma a leitura de um início de terceiro trimestre mais fraco na margem, avalia o economista Leonardo Costa, do ASA. Para ele, os dados até aqui já apontavam nessa direção, e o número de julho reforça o quadro de desaceleração gradual da atividade doméstica, com chance de PIB próximo à estabilidade no terceiro trimestre.
Na leitura do economista, a combinação de perda de fôlego da indústria, acomodação dos serviços e moderação da agropecuária compõem um ambiente menos dinâmico. Por ora, o cenário do ASA mantém a avaliação de que os indicadores são compatíveis com a projeção de alta de 0,2% na comparação trimestral com ajuste sazonal.
No mês, o índice ex-agropecuária, que exclui os efeitos do setor da conta, caiu 0,13%, após queda de 1,05% no mês anterior (revisado, de -0,91%). O indicador próprio da agropecuária, por outro lado, recuou 1,15%, depois de ter avançado 0,99% (revisado, de 0,96%) em junho.
O índice de serviços caiu 0,01% após ter caído 0,49% no mês anterior; o da indústria recuou 0,40%, após ter recuado 1,77% (revisado de -1,35%) em junho; e o de impostos — equivalente, em linhas gerais, à rubrica de impostos líquidos sobre produtos do PIB — caiu 0,16%, após cair 1,14% (revisado de -1,04%) no mês anterior.
Na comparação com julho de 2025, o IBC-Br total cresceu 1,14% na série sem ajuste sazonal — acima da mediana da pesquisa Projeções Broadcast, de 1,10%. As estimativas do mercado iam de crescimento de 0,80% a 2,10%.
O índice ex-agropecuária cresceu 0,99% na comparação interanual, após alta de 2,22% (revisado de 2,15%) no mês anterior. O da agropecuária subiu 3,69%, após uma alta de 5,08% (revisado de 5,33%) em junho.
O indicador de serviços avançou 1,26%, após alta de 2,30% (revisado de 2,04%) no mês anterior. O índice da indústria cresceu 0,47%, depois de ter subido 1,61% (revisado de 2,03%). O índice de impostos aumentou 0,75%, após avançar 2,73% (revisado de 2,80%) em junho.
O recuo do IBC-Br no sétimo mês de 2026 em relação ao anterior foi espalhado, diz a Terra Investimentos. O desempenho negativo foi generalizado em julho, com 'agropecuária' liderando as quedas (-1,2% m/m)", cita a nota.
"IBC-Br tornou a recuar em julho, confirmando sinalizações de desaceleração da atividade econômica", conforme o relatório assinado pelos economistas João Maurício Rosal, Homero Guizzo e Luís Bettoni. Para agosto, preliminarmente a Terra estima alta de 0,7% do IBC-Br na margem e de 1,7% no confronto interanual.
Índice total sobe 1,48% em 12 meses
O IBC-Br acumula alta de 1,48% nos 12 meses encerrados em julho, na série sem ajuste sazonal. É uma ligeira desaceleração frente ao mesmo período até junho, quando a alta era de 1,50% (revisado de 1,48%).
O índice ex-agropecuária, que exclui os efeitos do setor, cresce 1,48%. Em junho, avançava 1,49% (revisado de 1,46%). O indicador da agropecuária acumula alta de 2,25% nos 12 meses até julho, contra 2,48% (revisado de 2,55%) no mesmo período até o mês anterior.
Também em 12 meses, a taxa acumulada pelo IBC-Br da indústria passou de 0,65% (revisado de 0,68%) para 0,66%. O índice de serviços passou de 1,97% (revisado de 1,92%) para 1,93%. O indicador de impostos passou de 0,67% para 0,74%.
No acumulado de janeiro a julho de 2026, o IBC-Br total cresce 1,50% frente ao mesmo período de 2025. O índice ex-agropecuária avança 1,59%, enquanto o indicador do agro sobe 1,37%. O índice da indústria aumenta 0,71%, o de serviços sobe 2,01% e o de impostos avança 1,10%.
O IBC-Br total caiu 0,30% no trimestre móvel encerrado em julho, na série com ajuste sazonal e na comparação com os três meses anteriores. O índice ex-agro caiu 0,34% e o específico do agro recuou 0,58%. A indústria caiu 0,48%, os serviços diminuíram 0,16% e os impostos recuaram 0,63%.
Considerando o trimestre até julho, mas frente ao mesmo período de 2025 e na série sem ajuste sazonal, o IBC-Br total cresceu 1,51%. O índice ex-agropecuária teve alta de 1,36%, enquanto o específico do agro subiu 3,76%. O índice de serviços subiu 1,64%, o da indústria aumentou 0,70% e o de impostos avançou 1,19%./Com Letícia Correia e Maria Regina Silva