Juro cai devagar em quadro de alta incerteza

Se o governo selecionar e controlar seus gastos, a contenção dos preços será mais fácil, menos dolorosa e mais compatível com uma redução mais veloz dos juros

17 set 2026 - 13h13
Resumo
Mesmo com o corte da taxa básica para 13,75%, o Brasil segue refém de juros altos em meio à instabilidade global e ao avanço do trumpismo. Diante da inflação importada e da cautela do Banco Central, o governo tem margem limitada, mas precisa ajustar as contas públicas e frear o endividamento. O controle rigoroso dos gastos federais é apontado como a saída essencial para acelerar a queda dos juros, destravar o crédito e estimular a produção e o emprego no país.

Atolado nos juros, mesmo depois de mais um corte da taxa básica, desta vez para 13,75%, o Brasil permanece condenado à mediocridade econômica e ao desperdício de seu enorme potencial produtivo. O desarranjo internacional, novamente citado pelo Comitê de Política Monetária, o Copom, é agora, de fato, um componente muito importante dos problemas brasileiros.

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Parte relevante da inflação continua sendo importada, mas Brasília tem pouca artilharia para intervir nos descalabros globais. Será especialmente difícil conter essa baderna enquanto a maior potência ocidental — e provavelmente mundial — estiver sujeita ao trumpismo. O problema é crescente.

Banco Central, casa da Unidade de Inteligência Financeira, o antigo Coaf.
Banco Central, casa da Unidade de Inteligência Financeira, o antigo Coaf.
Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil / Estadão

Além de participar da matança no Oriente Médio, o presidente americano tem ampliado sua influência na América Latina; tem conseguido apoio de alguns governantes dispostos a abrir espaço, na região, para suas pretensões imperiais. A adesão dessas autoridades ao projeto trumpista — até com abertura de fronteiras a forças dos Estados Unidos — impõe um novo desafio ao governo brasileiro e àqueles ainda dispostos a preservar a soberania de seus países.

O Palácio do Planalto vem atuando num tabuleiro especialmente complicado. Além de cuidar dos desafios eleitorais, o governo central precisa dar maior atenção às contas públicas, controlar o endividamento federal, preservar o emprego e, sem intervir diretamente nos preços, tentar conter os perigos de uma inflação alimentada por desarranjos externos e internos. Tem de trabalhar, ao mesmo tempo, para impedir a interferência americana estimulada por políticos alinhados a interesses trumpistas.

As possibilidades de ação do Executivo, pelo menos na política interna, são limitadas por um Banco Central ainda empenhado em frear a inflação. Mas, se o governo selecionar e controlar seus gastos, a contenção dos preços será mais fácil, menos dolorosa e mais compatível com uma redução mais veloz dos juros. Isso permitirá uma expansão mais segura do crédito, maior produção, mais empregos e melhores condições para os consumidores, especialmente para os de renda mais limitada.

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