Montadoras chinesas disputam a compra e reforma de fábricas existentes na Europa para antecipar as regras da UE de conteúdo local para veículos elétricos. Enquanto rivais fecham parcerias de produção, a BYD busca a posse integral de instalações para acelerar sua expansão, considerando França e Espanha como alvos viáveis para uma segunda unidade até o final do ano. Com planos de operar três montadoras e uma fábrica de baterias no continente, o grupo descartou a Itália pela recusa da Stellantis.
Enquanto montadoras chinesas buscam locais de produção na Europa em antecipação às regras de conteúdo local previstas pela União Europeia, o consultor europeu da BYD afirma que sempre encontra executivos de empresas concorrentes em aeroportos que também estão em busca do mesmo objetivo.
Os executivos estão focados em identificar fábricas de montagem de automóveis já existentes que permitam às marcas chinesas iniciarem a produção muito mais rapidamente do que construir uma nova fábrica do zero, disse Alfredo Altavilla à Reuters.
Espanha e França continuam sendo as opções "mais viáveis" para a BYD, maior fabricante de veículos elétricos da China, pois apresentam "situações decididamente mais simples", afirmou ele. A principal consideração é quanto custa reformar o local selecionado.
"Temos que encontrar algo para comprar agora e restaurá-lo com relativamente pouco dinheiro... rapidamente", disse Altavilla na noite de quarta-feira, durante a inauguração de uma nova concessionária da marca premium Denza, da BYD, em Turim, na Itália.
"Estou constantemente visitando fábricas por toda a Europa", disse ele, acrescentando que, após o evento, pegaria um voo noturno "para a Inglaterra para visitar outra".
"Temos uma equipe muito grande que continua realizando estudos de viabilidade para todas as instalações que estamos considerando", disse ele, reconhecendo que os concorrentes estão fazendo o mesmo. "Nos aeroportos, a gente sempre se encontra", disse Altavilla.
REGRAS DE CONTEÚDO LOCAL
Fabricantes chineses já fecharam vários acordos para compartilharem linhas de produção em fábricas europeias subutilizadas pertencentes a montadoras tradicionais, incluindo Leapmotor e Dongfeng com Stellantis, na Espanha e na França, respectivamente; e a Geely com a Ford na Espanha. A Chery se uniu a um parceiro local para assumir uma antiga fábrica da Nissan na Espanha.
Agora, elas estão empenhadas em uma iniciativa mais ampla para estabelecer presença industrial dentro da UE, enquanto Bruxelas trabalha nas regras do "Made in Europe", que definirão limites mínimos de conteúdo local para veículos elétricos vendidos no bloco. Essas regras ainda estão sendo elaboradas, mas espera-se que sejam introduzidas já no próximo ano.
Ao contrário de seus rivais chineses, a BYD pretende comprar, adquirir a propriedade total e reformar uma fábrica já existente para acelerar a produção localizada.
A BYD está atualmente na fase inicial de produção de sua primeira fábrica europeia de automóveis, na Hungria, e espera selecionar o local para uma segunda unidade europeia até o final do ano, disse Altavilla.
Olhando mais adiante, ele disse que a BYD precisará, eventualmente, de "três fábricas de montagem e uma fábrica de baterias" na Europa para sustentar suas ambições de crescimento e cumprir regras da UE.
Além da Espanha e da França, outros países ainda estão sendo considerados pela BYD, disse Altavilla. A Itália, no entanto, tornou-se um "plano B" porque a Stellantis, única grande montadora do país, não está disposta a vender nenhuma fábrica, afirmou ele.
"Não posso comprar algo que não está à venda", disse ele.