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Governo diz que estuda 'lista suja' e restrição de crédito a empresas que fazem assédio eleitoral

Ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirma que denúncias de discriminação e demissão de trabalhadores por motivação política já vinham desde as eleições de 2022 e, em 2026, se intensificaram no período pós-eleitoral

28 out 2026 - 20h54
Resumo
O governo federal planeja criar uma "lista suja" e restringir o crédito público a empresas que praticarem assédio eleitoral contra trabalhadores. A iniciativa integra uma força-tarefa com órgãos como MTE, MPT e AGU para fiscalizar e punir demissões ou discriminações políticas, exigindo reintegração ou indenização aos afetados. As medidas também incluem ações judiciais por crime eleitoral e a cobrança a plataformas digitais para remover conteúdos que incentivem a prática ilícita.

BRASÍLIA - O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, anunciou nesta quarta-feira, 28, que o governo federal estuda a criação de uma "lista suja", com restrição de acesso a crédito, para as empresas que cometeram comprovadamente assédio eleitoral.

"A lista é para que a gente possa mostrar para a sociedade que tem empresas cometendo ilegalidades de eventual crime contra o trabalhador", disse o ministro, em coletiva de imprensa.

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As empresas que cometem ilegalidade também poderão sofrer sanções de restrição de crédito. "O Banco Central será informado e informará toda a rede de financeiras do País, de que essa empresa entra na restrição para a tomada de qualquer crédito público", acrescentou.

Marinho disse que as denúncias de discriminação e demissão de trabalhadores por motivação política já vinham desde as eleições de 2022, e em 2026 se intensificaram no período pós-eleitoral, após o resultado das urnas. Ele divulgou canais de denúncia e afirmou que a pasta irá investigar as acusações recebidas, com fiscalização pelos auditores do trabalho.

O MTE, em conjunto com o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Advocacia-Geral da União (AGU), o Tribunal Superior do Trabalho (TST), o Ministério Público Eleitoral (MPE) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), anunciou nesta quarta medidas de enfrentamento à discriminação e demissão de trabalhadores por motivação política.

"Não estamos falando de coloração A ou coloração B. Nós estamos falando que o trabalhador tem o direito democrático, garantido na nossa Constituição, à sua opção política", disse Marinho.

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O titular da pasta do Trabalho argumentou que, para a economia seguir crescendo, não é possível ter "maus empresários remando contra" e disse que "se tiver mau empresário, conte com a mão pesada do Estado". Segundo ele, será uma fiscalização conjunta com auditores espalhados nos 27 Estados brasileiro.

Confirmada a denúncia, será convocada uma mesa de conciliação para ajustar a proteção ao trabalhador. "Ou seja, se demitiu, tem que reintegrar; se não reintegrar, tem que indenizar". A partir disso, a AGU e o MPT tomarão eventuais providências adicionais, inclusive judiciais, como crime eleitoral.

Além disso, o governo vai trabalhar para derrubar sites e posts nas redes sociais que incentivam comportamentos de assédio eleitoral no ambiente de trabalho. "É inadmissível que as plataformas [digitais] continuem agindo de forma ilegal no nosso País", criticou Marinho.

O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ademar Borges, disse que as plataformas têm a obrigação de retirar conteúdos ilícitos do ar. "Há prazos legais para retirada do conteúdo ilícito; se não for retirado, as plataformas incorrem em responsabilidade". De acordo com ele, já há registros de casos de opressão e de constrição de liberdade dos trabalhadores nas relações de trabalho, os quais estão sendo monitorados pelo MJ.

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