Um dos momentos mais aguardados desta edição será a presença de Donald Trump, a primeira em seis anos no evento realizado nos Alpes suíços. O presidente dos Estados Unidos estará acompanhado da maior delegação já registrada no encontro: mais de 300 pessoas apenas na equipe oficial, um recorde na história do Fórum Econômico Mundial.
Trump estará sob os holofotes após ter desencadeado diversas crises — a mais recente delas, a ameaça de imposição de sobretaxas alfandegárias a oito países europeus que se opõem a uma anexação da Groenlândia pelos Estados Unidos. O presidente norte‑americano também pode aproveitar o evento para fazer anúncios sobre seu Conselho da Paz para Gaza, que ele deseja ampliar com a participação de diversos líderes políticos mundiais. No entanto, com a aproximação das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro, o bilionário pretende, sobretudo, se dirigir aos eleitores norte‑americanos preocupados com o poder de compra.
Os norte‑americanos estão indignados com o custo de vida, apesar das promessas de Trump de criar uma "era dourada", e seu partido pode sofrer uma punição nas eleições de meio de mandato, em novembro. Isso significa que Trump deve dedicar ao menos parte de seu tempo em Davos — um local onde os líderes facilmente podem parecer desconectados das pessoas comuns — para falar sobre moradia nos Estados Unidos. Espera‑se que o republicano de 79 anos anuncie planos que permitam a compradores de imóveis recorrer às suas poupanças para a aposentadoria a fim de pagar a entrada para a compra de um imóvel.
Outro tema central do fórum deverá ser a guerra na Ucrânia. O presidente Volodymyr Zelensky espera a assinatura de um acordo de paz, enquanto Trump defende uma resolução rápida do conflito. Ainda assim, a posição da Rússia permanece desconhecida, já que o país novamente está ausente de Davos por causa do boicote e das sanções internacionais.
Nos bastidores, reuniões informais e bilaterais também devem tratar da situação na Venezuela e no Irã, após o recente levante seguido de uma repressão sangrenta por parte do regime.
Manifestantes marcham em direção a Davos
Várias centenas de manifestantes iniciaram no sábado (17), no leste da Suíça, uma marcha em direção à estação de Davos. Cerca de 600 pessoas deixaram o município de Küblis, segundo a agência de notícias suíça Keystone‑ATS. Nos cartazes, era possível ler slogans como "Democracia em vez da ditadura do WEF (sigla em inglês do Fórum Econômico Mundial)" e "Democracia em vez da oligarquia".
Os manifestantes, reunidos no coletivo "Strike‑WEF", convocam a mobilização "pela justiça social" e dizem querer lutar "por um mundo em que todos tenham o suficiente para viver", segundo o site do grupo. Eles devem chegar a Davos para se juntar a um protesto autorizado pela prefeitura, organizado pela Juventude Socialista da Suíça.
"Para nós, é importante poder nos levantar contra a voz do Fórum Econômico Mundial. Demonstrar que as decisões tomadas ali não são democráticas, que muitos interesses representados não são os nossos, mas os das empresas e dos lobistas", afirmou Maeva Strub, porta‑voz do "Strike‑WEF", à Keystone‑ATS. "Trump é um símbolo, aos nossos olhos, o símbolo do capitalismo tal como ele existe e de sua natureza destrutiva", completou.
Com agências